O TRATADO DE RE RUSTICA DE COLUMELA NA VERSÃO PORTUGUESA DE FERNANDO OLIVEIRA
António Manuel Lopes Andrade / Carlos Morais
CLC — Universidade de Aveiro
Artigo publicado em «Fernando Oliveira: um Humanista Genial» ![]()
Livro de homenagem oferece visão actualizada e global da vida e obra de Fernão de Oliveira
Para assinalar os 500 anos do nascimento de Fernando Oliveira, também conhecido por Fernão de Oliveira (c.1507-c.1582), cerca de 30 especialistas de várias áreas do conhecimento produziram um conjunto de ensaios que foram reunidos no livro «Fernando Oliveira: um Humanista genial», coordenado por Carlos Morais, docente do Departamento de Línguas e Culturas da UA.
Ao longo de mais de 600 páginas, distribuídas por quatro partes – o homem, o filólogo, o marinheiro, o historiador -, são analisados, não só a obra que o tornou mais conhecido entre nós (a primeira Gramática da Linguagem Portuguesa, de 1536), mas também outros escritos pioneiros que, em diferentes domínios do saber (estratégia militar, náutica, cartografia, construção naval, relato de viagens marítimas, agricultura e história), atestam a sua genialidade: a Arte da Guerra do Mar (1555), a Ars Nautica (c. 1570), o Livro da Fábrica das Naus (c. 1580), o relato da Viagem de Fernão de Magalhães, a tradução parcial do De re rustica de Columela, uma cópia incompleta da Arte de Grammatica da Lengua Castellana de António de Nebrija (c. 1579-1580) e o Livro da Antiguidade, Nobreza, Liberdade e Imunidade do Reino de Portugal – um esboço historiográfico que interrompeu para escrever a primeira História de Portugal, já perto da sua morte (c. 1581-1582).
Edição: Universidade de Aveiro
Coordenação: Carlos Morais, docente do Departamento de Línguas e Culturas da UA
ISBN: 9789727893003
Ano: 2009
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Este estudo está centrado na análise da versão manuscrita para português do tratado latino De re rustica de Columela sobre a ciência agrária[1]. Merecem a nossa particular atenção o enquadramento geral da versão portuguesa no quadro do movimento humanista europeu e da transmissão do próprio texto columeliano – seja em língua latina, seja em tradução –, bem como as interessantes anotações que o humanista aveirense foi intercalando ao longo da sua tradução parcial da obra de Columela. Este trabalho apresenta, convém dizê-lo, os primeiros frutos de uma investigação ainda em curso, cujo objectivo final pretende ser a publicação de uma edição moderna desta versão de Fernando Oliveira, acompanhada de um estudo introdutório.
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Lúcio Júnio Moderato Columela (Lucius Iunius Moderatus Columella), natural de Cádis, compôs, por volta de meados do século I d. C., o tratado latino De re rustica sobre a agricultura, que constituía, sem dúvida, a mais importante das disciplinas económicas da Antiguidade. Columela aborda a matéria com a reconhecida autoridade de quem possuía e administrava vastas propriedades agrícolas e pertencia a uma família da Hispânia com tradição firmada na exploração da terra. Escreve, por conseguinte, um amplo tratado com marcado entusiasmo e competência, não hesitando em recorrer, quer à sua experiência e prática na matéria, quer às inúmeras fontes gregas e latinas sobre a ciência agrária, onde pontuavam, desde logo, as obras que Catão, Varrão e o próprio Virgílio haviam dedicado às actividades agrícolas.
Columela é, simultaneamente, um homem de letras e de ciência. Era amigo pessoal de Galião, irmão do filósofo Séneca, a cujo círculo de alguma forma pertencia[2], e de Públio Silvino, a quem dedica todos os livros de De re rustica, a sua obra mais importante. Foi, aliás, a pedido expresso de Galião e de Silvino que Columela decidiu compor em verso (hexâmetro dactílico) o livro X do tratado[3], sobre a cultura e arranjo dos jardins (De cultu hortorum), tomando assim a seu cargo o convite endereçado por Virgílio, nas Geórgicas, aos poetas vindouros que desejassem dar continuidade à sua obra[4]. O poeta gaditano não logra alcançar, a não ser em breves espaços, o vigor da criação poética do modelo virgiliano, mas revela, em contrapartida, um conhecimento bastante mais aprofundado da matéria tratada[5].
Columela adopta uma perspectiva eminentemente didáctica na exposição clara e sistemática das técnicas e dos saberes da ciência agrária de que tem um domínio apurado. No entanto, o empenho e entusiasmo que coloca na redacção da obra não ficam a dever-se apenas à sua evidente intencionalidade didáctica ou à proximidade que tinha das matérias, porquanto «escribe como quien tiene un verdadero compromiso com la patria, en la idea de que acomete, como hicieron en su día Catón o Varrón o Virgilio, una empresa de interés nacional»[6]. De facto, o agrónomo latino estava perfeitamente consciente do estado calamitoso a que tinha chegado a agricultura do seu tempo, em grande medida devido ao desleixo, ao abandono e à má exploração das terras, como deixa perceber a leitura do início do prólogo geral do tratado agronómico, na versão de Fernando Oliveira (fls. 177-177v; 180v):
Muntas vezes ouço queyxar os princepes da nossa cidade contra a lavoura e a agricultura, dizendo que não responde como soya. E a causa disso, huns dizem que he a esterelidade das terras, e outros a destemperança do ar, que pello espaço dos tempos se muda. Outros querendo com algũa rezão moderar estes queyxumes, dizem que a terra cansada e esvaecida pella munta fructificação que fez antigamente, não poode jaa manter os homens como dantes fazia (...). Mas vem juntamente co isso pello descuido e negligencia dos homens d’agora que se desprezão de ser lavradores e não tratão a lavoura per sy como fazião os antigos, mas entregamna aos que nem podem, nem sabem // usar della (...). // (...) a agricultura veo em tanto desprezo antre nos que he havida pello mays bayxo e vil officio de todos, e tanto que parece aos homens que não tem necessidade de ser aprendida.
Columela denuncia, por conseguinte, a situação lastimosa a que chegou a agricultura romana, com o objectivo declarado de procurar regenerar e dignificar a cultura dos campos, uma actividade vital para a existência humana, que constitui, na sua perspectiva, o caminho mais recto e honesto para alguém poder aumentar o seu património. Não resistimos a citar, de seguida, um segundo excerto do prólogo geral da obra (fls. 177v-178), na tradução de Fernando Oliveira, em que se defendem precisamente as vantagens da agricultura face a outras actividades humanas como, por exemplo, o comércio, a guerra, a advocacia ou a navegação marítima:
Eu me espanto por certo de como os homens, em todas as outras artes, buscão os milhores officiaes para se servirem delles, e nesta que mays releva, os piores. E de todas as outras, ainda que sejão vãas, inutiles, viciosas e apartadas do bo saber e virtude, ha hi mestres que as ensinem e discipolos que as aprendão: soo da agricultura não ha mestres nem discipolos, sendo ella muy conforme e favoravel aa boa sabedoria e sendo sem a qual se não poodem manter as respubricas, nem conservar a vida humana. As outras artes ou ajudão ou ornão a vida dos homens, e esta, mays que todas, a sostenta (...) Não soomente he necessaria para sostentar a vida, mas tambem he accommodada para com bo titolo conservar e accrecentar a fazenda sem offensa de Deus. De muntas artes vivem os homens necessariamente, que // se não podem exercitar sem escrupolo da conciencia, como são a mercancia e a guerra, a qual se não poode fazer sem crueldade e roubos e damno de muntos. Tambem são escrupulosas as mecanicas, se não tratão verdade, e algũas outras desnecessarias. Outras, ainda que necessarias, são todavia perigosas, como he a navegação sogeyta ao furor do mar e impeto dos ventos e mesturada com peregrinações. Outras não soomente combatem a conciencia e vida, mas tambem a honra.
O tratado De re rustica inicia-se com um prefácio geral, em jeito de dedicatória, dirigido à pessoa de Públio Silvino, o culto e rico amigo do autor. A obra compreende doze livros, a que subjaz a seguinte divisão temática: 1.º generalidades, instalação e pessoal da exploração; 2.º cultura da terra: cereais e leguminosas; 3.º , 4.º e 5.º viticultura e arboricultura; 6.º criação de gado; 7.º gado miúdo; 8.º avicultura e piscicultura; 9.º apicultura; 10.º jardinagem; 11.º e 12.º deveres do intendente e da sua mulher[7].
O afã com que os humanistas se entregaram à redescoberta de antigos manuscritos veio possibilitar o surgimento de edições e comentários de várias obras da literatura clássica que, graças à descoberta da imprensa, tiveram uma difusão ampla e rápida. Generalizam-se, igualmente, as traduções dos autores greco-latinos nas línguas vernáculas num movimento que ganha cada vez mais forma à medida que se avança no século XVI.
À semelhança do que aconteceu com muitas outras obras da literatura latina, coube ao humanista italiano Poggio Bracciolini, numa das viagens que fez à Alemanha, em 1417, a recuperação de um códice latino, donde muito provavelmente saiu a quase totalidade dos manuscritos de Columela que se conservam[8]. O advento da imprensa proporcionou à obra do agrónomo latino uma ampla divulgação, cujo início ficou marcado pela saída a lume da editio princeps, em Veneza, no ano de 1472. Nos anos subsequentes, a obra de Columela, quase sempre integrada em edições conjuntas do corpus de escritores romanos de re rustica (Catão, Varrão, Columela e Paládio), foi objecto de inúmeras edições e comentários, sobretudo até meados do século XVI (Regii, 1482; Bononiae, 1494; Regii, 1496; Regii, 1498; Regii, 1499; Bononiae, 1504; Parisiis, 1513; Venetiis, 1514; Florentiae, 1515; Florentiae, 1521; Ad Aldinum exemplar, 1528; Parisiis, 1529; Lutetiae, 1533; Venetiis, 1533; Basileae, 1535; Lugduni, 1535; Coloniae, 1536; Lugduni, 1537; Lugduni, 1541; Lugduni, 1542; Parisiis, 1543; Lugduni, 1548; Parisiis, 1553; Lugduni, 1557). Assiste-se, em particular a partir de meados de Quinhentos, a uma diminuição substancial do número de edições latinas do tratado de Columela, em grande parte justificada pelo recuo da língua latina face à afirmação cada vez maior que as línguas vernáculas europeias vinham conquistando.
De facto, é sensivelmente a partir de meados de Quinhentos que são dadas à estampa as primeiras traduções conhecidas para as línguas alemã (Estrasburgo, 1538; Magdeburgo, 1610), francesa e italiana (a versão de Pietro Lauro de Módena publicou-se em Veneza, em 1544, 1559 e 1564). As traduções francesas foram, indiscutivelmente, as mais frequentes. A este propósito, convém mencionar a versão integral do tratado latino do cónego Claude Cotereau, publicada em Paris, em 1551 e 1552, a que se seguiram duas reedições, em 1555 e 1556, no mesmo local, mas enriquecidas com as revisões e anotações de Jean Thierry de Beauvaisis.[9]
No entanto, é importante notar que, cerca de onze anos antes, em 1540, o humanista francês Claude Meigret havia publicado, em Paris, uma primeira versão francesa parcial, apenas do terceiro e quarto livros do tratado de Columela[10]. Não podemos deixar de sublinhar a extraordinária coincidência de tanto Claude Meigret como Fernando Oliveira terem traduzido o tratado de Columela (um e outro apenas em parte), tanto mais que o humanista francês, natural de Lião, é o reputado autor da primeira gramática de língua francesa, saída a lume em 1550, na cidade de Paris[11]. Não será de excluir, naturalmente, a hipótese de que Fernando Oliveira tivesse tido contacto com a obra de Meigret durante a sua passagem por França. O humanista lionês publicou ainda um tratado sobre o uso comum da língua francesa (Paris, 1542 e 1545), outras traduções de autores greco-latinos (Salústio, Políbio e Luciano) e uma versão francesa (Paris, 1555) do famoso tratado latino sobre a arte militar (De re militari) do italiano Roberto Valturio (1405-1475)[12].
A versão portuguesa de Fernando Oliveira, pese embora seja difícil precisar a data em que foi escrita, integra-se precisamente neste conjunto das primeiras traduções de Columela para as línguas vernáculas. Além disso, constitui a primeira das traduções conhecidas do Gaditano para qualquer uma das várias línguas faladas na Península Ibérica. Teriam ainda de decorrer mais de 200 anos para que a primeira tradução castelhana da autoria de Juan María Álvarez de Sotomayor fosse publicada, o que apenas viria a ocorrer em 1824[13]. No entanto, notava-se já desde meados do século XVIII um interesse renovado pela obra de Columela, a que não é alheio o papel preponderante que o postulado da fisiocracia concedeu à agricultura no progresso social e no desenvolvimento das nações. De facto, no último terço de Setecentos, assiste-se em Espanha a um conjunto variado de iniciativas voltadas para o estudo, tradução e ilustração da obra de Columela. É este mesmo quadro ideológico, como bem assinalou Eduardo Franco[14], que parece motivar os responsáveis do periódico Annaes das Sciencias, das Artes, e das Letras (Paris, 1818-1822)[15] a patrocinar a publicação da versão portuguesa de Fernando Oliveira do tratado de Columela, transcrita fielmente pelo embaixador Francisco José Maria de Brito, a partir do único manuscrito conhecido, à guarda da então Biblioteca Imperial de Paris[16].
Começando por ter existência autónoma, este manuscrito autógrafo, como comprovam a grafia isométrica e o estilo, acabaria incorporado numa miscelânea de outros manuscritos do autor, recebendo, por isso, uma nova paginação que convive com a primitiva. Este códice compósito, que pertenceu à biblioteca do cardeal Mazarino, entrou nos fundos da biblioteca parisiense em 1668. Registado, sob o n.º 5, no catálogo de Morel–Fatio, é actualmente o n.º 12 do Fond Portugais. Trata-se de um volume de 339 fólios que incorpora, sem qualquer preocupação temática ou cronológica, além da versão portuguesa do De re rustica de Columela (fls. 177-272), a História de Portugal (fls. 1-152), o Livro da antiguidade, nobreza, liberdade e imunidade do reino de Portugal (fls. 157-176) e a cópia incompleta da Arte de gramática de lengua castellana d’ Antonio de Nebrija (fls. 273-339).[17]
A transcrição da versão portuguesa de Fernando Oliveira, publicada nos Annaes (tomos IV-XII), está precedida de uma nota introdutória de Cândido Xavier Dias da Silva («Sobre a Traducção dos Livros de Re Rustica de Columella, por Fernão d’ Oliveira»), um dos redactores da publicação periódica, condenado à morte em Portugal e exilado em França desde o final das Guerras Napoleónicas, o qual assina os seus trabalhos apenas com duas iniciais do seu nome (C. X.). Segue-se-lhe uma breve «Notícia» sobre Fernando Oliveira da autoria do próprio transcritor, Francisco José Maria de Brito.
Cândido Xavier, mais tarde sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa, é também autor de outros artigos dos Annaes, entre os quais destacamos, pela afinidade temática com o tratado de Columela, a extensa recensão que escreveu sobre uma obra de um outro ilustre redactor e colaborador do periódico: «Resenha Analytica – Georgicas Portuguezas por Luiz da Silva Mouzinho de Albuquerque»[18].
Fernando Oliveira, à semelhança de outros humanistas, estava perfeitamente consciente de que a língua materna era um factor essencial à unidade política, porquanto constituía um veículo privilegiado para a transmissão da cultura, da religião e do saber, formando uma comunidade nacional capaz de enfrentar o perigo externo que ameaçava a sua independência e, consequentemente, a sua própria existência. Assim se compreende, por exemplo, a opção inequívoca que toma em defesa da língua, ao compor a primeira gramática da Língua Portuguesa, dada à estampa em 1536[19].
Há muito que se vivia em Portugal uma espécie de batalha linguística entre as línguas portuguesa e castelhana. As intensas e constantes relações entre os reinos ibéricos criaram em Portugal, durante décadas, uma corte bilingue, que potenciou naturalmente o uso do castelhano por alguns dos nossos maiores escritores dos séculos XV e XVI. O meio universitário constituiu um outro factor propiciador deste fenómeno, já que inúmeros alunos e professores portugueses frequentavam as mais reputadas universidades espanholas, das quais Salamanca era, à época, a mais conceituada. Do mesmo modo, eram também chamados a leccionar em Portugal mestres vindos de Espanha. O próprio Fernando Oliveira, convém recordá-lo, passou alguns anos da sua juventude em Espanha, sendo muito provável que tenha prosseguido os seus estudos no país vizinho.
Já vários poetas do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, publicado em 1516, haviam composto os seus poemas em português e castelhano, o mesmo acontecendo com nomes consagrados da literatura portuguesa como Gil Vicente, Sá de Miranda, Pêro de Andrade Caminha, Diogo Bernardes, para não falar de Camões. Outros havia, todavia, que se revelaram defensores acérrimos da Língua Portuguesa como o próprio Fernando Oliveira, António Ferreira, Jerónimo Cardoso, João de Barros, Garcia de Orta ou Samuel Usque.
A versão da obra de Columela para português por Fernando Oliveira enquadra-se também, de certa forma, neste espírito de defesa da língua (e da nação portuguesa), porquanto o tradutor pretende facultar aos seus naturais o contacto directo, na sua própria língua, com uma obra da Antiguidade Clássica, de cuja enorme utilidade para o desenvolvimento da agricultura e da economia nacional parece estar convencido. A ajuizar pelo teor geral das anotações feitas à tradução, Fernando Oliveira não pretende apenas reabilitar as fontes clássicas, como é prática comum entre os humanistas. É que subjaz à sua decisão de verter o tratado agronómico latino a firme convicção de estar a praticar uma missão de grande utilidade para o interesse nacional, tal como tinha feito, no seu tempo, o próprio Columela[20].
Ou porque Fernando Oliveira, entretanto, tivesse morrido, como tem sido proposto por alguns, ou porque, confirmando a irrequietude típica do seu carácter, se tivesse dedicado a outra qualquer tarefa, a sua obra de tradução ficou inacabada. Para português, o autor só verteu o prólogo e o 1.º livro (um caderno de 34 fls.: 177-210), o 2.º livro (um caderno de 44 fls.: 211-254) e o 3.º livro, mas só até ao começo do capítulo IX (um caderno de 18 fls.: 255-272). Nesta versão, de importância inquestionável pela sua riqueza filológica, científica e cultural, são particularmente interessantes as anotações, por vezes com uma extensão significativa, que o autor vai intercalando, à guisa de comentário, ao texto de Columela.

O primeiro destes comentários situa-se no final do livro II, logo após o capítulo XXII que trata «das obras que se podem fazer nos dias das festas (...), conforme as leys dos sacerdotes gentios, pelos quaes se então governava a religião dos Romanos, tambem gentios» (fl. 250v). Trata-se de um excurso de âmbito catequético, onde o tradutor dá conta, em pormenor, das obrigações e licenças, diferentes das romanas, que deviam ser observadas, nos domingos e festas, pelos que professavam a religião cristã: não executar qualquer tipo de trabalho servil e «ouvir missa na sua freguesia, ou onde poderem, não desprezando o seu sacerdote» (fl. 251v). No sentido, talvez, de acautelar novos problemas com a Inquisição, aquando da publicação da obra, o tradutor contrapõe o que é dito em Columela ao preceituado pelos mandamentos da Santa Madre Igreja, conforme rezam alguns manuais destinados a confessores e a penitentes[21].
Uma das obras mais significativas, neste género, é o Manual de Confessores e Penitentes, reformado e prefaciado pelo teólogo e canonista, Martín de Azpilcueta Navarro, em 1552, pouco antes de Fernando Oliveira ter sido nomeado corrector da imprensa da Universidade de Coimbra.[22] Coube aos impressores João de Barreira e João Álvares[23] a publicação da segunda edição do Manual de Confessores e Penitentes, que integrou, pela primeira vez, as correcções e acrescentos do Doutor Navarro e que viria a ter uma fortuna editorial assinalável.
Convém sublinhar que há uma relação de grande semelhança, em termos de forma e de conteúdo, entre a anotação de Fernando Oliveira e o que está preceituado em alguns capítulos do Manual de Confessores e Penitentes do Doutor Navarro, em particular o cap. XIII, subordinado ao título «Do terceyro mandamento [do Decálogo]. De guardar as festas…» (pp. 113-121), e o cap. XXI «Dos mandamentos da igreja: ouvir missa inteyra aos domingos e festas…» (pp. 332-336)[24]
Na sequência deste comentário inicial de Fernando Oliveira, encontra-se uma outra anotação, desta feita de carácter eminentemente filológico, encabeçada pelo título «Aviso para notar neste segundo livro e nos outros onde for necessario» (fl. 252). Trata-se de uma advertência aos eventuais leitores da obra, cuja principal finalidade é aduzir os argumentos que, no juízo do tradutor, justificam a forma como verteu para português o nome de uma medida de sólidos (usada, em particular, para o trigo), «a que Columella e os outros Latinos, na sua lingua, chamão modio» (fl. 252). O «modio latino», nas palavras de Fernando Oliveira, «era medida tam pequena que se dava de reção para hum dia a hum boy ou besta» (fl. 252), ao passo que «os moyos portugueses são medidas grandes ou, para mais certo falar, são numero de medidas, tantas que abastão manter hum homem todo hum anno, e mays que anno» (fl. 252). O comentador demonstra, comparativamente, que o modius latino não corresponde, em termos de capacidade, ao moio português, apesar de a palavra portuguesa ter origem na latina. Por isso, decidiu adoptar o termo ’almude’ para designar a medida original. Eis a forma como Fernando Oliveira justifica a sua opção (fl. 252v):
E, por tanto, não trasladey modio latino em moyo portugues, mas chamolhe almude, por que assy chamão em Aragão a hũa medida de cevada que dão a hum cavalo para comer hum dia, e assy chama Antonio de Nebrixa, bo grammatico, a duodecima parte da fanega castelhana, que he a nossa fanga, pouco mays ou menos. A qual duodecima parte de fanega, nem he alqueyre, nem meyalqueyre, nem quarta, nem ceromil, que são as nossas medidas (...) e nenhũa destas concorda com o modio latino, segundo a interpretação d’ Antonio de Nebrixa, homem douto na lingua latina, que diz que o modio latino he celamim ou almud castelhano, o qual he, como dixe, a duodecima parte da fanega.
Na verdade, a capacidade do moio português (780 a 840 litros) era muito superior à da medida latina da qual herdou a designação (modius: 8,7 a 9,3 litros). Por conseguinte, o uso da palavra ‘moio’ na tradução portuguesa poderia facilmente induzir os leitores em erro. Assim, o tradutor resolve usar o termo ‘almude’, cuja equivalência ao modius latino, não sendo propriamente exacta, já se aproxima pelo menos em termos de ordem de grandeza. De facto, o modius latino tem uma capacidade de 8,7 a 9,3 litros e o almude, na época de Fernando Oliveira, variava entre os 4,6 litros do almude castelhano, valor dado por Nebrija, e os 16,5 a 17,5 litros do almude português. É sensivelmente a meio deste intervalo de variação dos almudes ibéricos que se situa a capacidade do modius romano [25].
É de sublinhar o respeito que Fernando Oliveira manifesta pelo mestre salmantino, Antonio de Nebrija, em cuja autoridade fundamenta a sua opção pelo uso de ‘almude’ como tradução mais adequada para o modius latino. O autor da primeira gramática castelhana, a primeira de uma língua vernácula, havia publicado, em 1510, um discurso proferido no Estudo de Salamanca sobre medidas latinas, ilustrado com inúmeras citações de autores greco-latinos[26]. Julgamos ter sido esta a fonte privilegiada do tradutor português, porquanto Nebrija esclarece, nesse estudo, o sentido exacto do vocábulo latino modius, recorrendo, aliás, à citação de um passo do livro II do próprio tratado de Columela[27]. Evidenciando um notável sentido prático, não repugnou a Fernando Oliveira adoptar um vocábulo, alegadamente da língua castelhana[28], por entender ser a solução mais adequada para resolver o problema, com a seguinte justificação (fl. 252v):
E poys não temos esta medida, nem o nome della, não he inconveniente, mas antes he necessario tomallo donde o ha e dos mays vezinhos, cuja linguagem he quasi como a nossa e communica muntos vocabolos com a nossa.
Segue-se uma terceira nota do tradutor, com o título «Outra addição do trasladador» (fl. 253), cujo objectivo é colmatar uma falha do tratado latino, «por quanto Columella, neste segundo livro, em que trata da sementeyra do pão e legumes, não faz menção de centeo, o qual em Portugal he munto acustumado» (fl. 253). Fernando Oliveira procura complementar os dados fornecidos pelo tratado latino sobre os cereais, em face das características específicas da realidade portuguesa, «por não deyxar os nossos lavradores sem a doutrina nesta parte necessarea» (fl. 253). No sentido de suprir esta lacuna, segue uma metodologia que assenta em três planos complementares: pesquisa de outras fontes documentais («achey em Plinio hũa semente a que elle chama secale», fl. 253), contacto directo com agricultores portugueses conhecedores da matéria, recurso à sua própria experiência pessoal. Ouçamos, nas palavras do tradutor, a enunciação deste processo hermenêutico que configura uma postura verdadeiramente experiencialista (fls. 253-253v):
Estas qualidades que põe Plinio do secale parecem ser as do centeo, e em nenhũa outra semente põe outras que tanto se pareção co elle. Mas, nem ainda assy nos ensina o que nos cumpre, pello que me foy necessario enformarme d’alguns lavradores da nossa terra, homens entendidos e de experiencia, dos quaes soube que o centeo quer terra solta e bem estercada e a sua sementeyra he sempre // temporãa, no mes de Septembro, antes que venhão os frios, e se as terras são frias em Agosto (...). Eu o vy jaa nacido em oyto dias, por andar d’Agosto, na serra do Touro, perto de Lamego.
Como apêndice do capítulo terceiro do livro III, encontra-se a última anotação do gramático português, novamente de pendor filológico, sob o título «Declaração d’algũas palavras deste capitolo terceyro do terceyro livro» (fl. 265v). Desta vez, o tradutor justifica a razão pela qual decidiu preservar na sua versão algumas palavras latinas relativas a moedas e a medidas, começando por afirmar (fl. 265v):
Neste capitolo, ficão certos vocabolos de moedas e medidas, os quaes deyxey na forma da lingua latina, não por falta de vocabolos portugueses, mas por que não respondem precisamente as nossas aas dos Romanos.
Nesta ocasião, ao invés do que fizera em relação à tradução do modius latino, Fernando Oliveira decide manter na sua versão alguns vocábulos latinos relativos a moedas (sestercio, numo, usura semissis) e a medidas (culeo, amphora e urna), discorrendo largamente sobre o valor das moedas e a capacidade das medidas. Sem prejuízo de consultar outros autores clássicos, o filólogo português enuncia, por diversas vezes, a sua fonte principal, ou seja, Guillaume Budé, que era, à época, autor do mais famoso tratado sobre moedas, pesos e medidas latinos (De asse et partibus eius). Recorre, de novo, à sua experiência pessoal no comentário comparativo entre o valor das moedas romanas, francesas (o termo de comparação do humanista francês) e portuguesas. É nesse sentido que volta a dirigir-se directamente aos leitores do seu trabalho (fls. 265v-266):
Por tamto saybão os leytores que sestercio era hũa moeda romana, a qual diz Guilhelme Budeu que valia tanto como dez dinheyros de França, os quais fazem quasi meo vintem de Portugal, por que cada hum dinheyro de França val quasi hum real de Portugal. Digo quasi, por que os reaes de Portugal são algum pouco mayores que os dinheyros de França, tanto que hum real de prata não // val mays que trinta e seys reaes e dous ceytis de Portugal, e dos dinheyros de França val mays de quorenta.
Jerónimo Cardoso, que teceu rasgados elogios a Fernando Oliveira, numa das suas epístolas latinas[29], é também autor de um pequeno tratado sobre moedas gregas e latinas, pesos e medidas, publicado em Coimbra, em 1561, nos prelos de João Álvares[30]. Coubera a este mesmo impressor, como é sabido, dar à estampa a segunda e última obra publicada em vida de Fernando Oliveira, ou seja, a Arte da Guerra do Mar, em 1555, pouco depois de o egresso dominicano ter sido nomeado corrector da imprensa da Universidade de Coimbra, a 18 de Dezembro de 1554. Nas palavras de Justino Mendes de Almeida[31], a referida obra do humanista de Lamego, terra em que o nosso autor, curiosamente, confessa ter visto os campos de centeio, «é uma espécie de sumário, à maneira de anacefaleose, da matéria contida no tratado do grande humanista francês Guillaume Budé (Gulielmus Budaeus): Libri V de asse et partibus eius (1514)», tendo sido posteriormente incluído no Dictionarium Latinolusitanicum.
A extraordinária mundividência de Fernando Oliveira concedia-lhe, evidentemente, um conhecimento apurado que lhe permitia relacionar, com relativa facilidade, o valor das moedas latinas, francesas e portuguesas ou a capacidade das medidas de vários países. Convém não esquecer que o humanista aveirense é filho de um tempo novo em que a aritmética adquire uma importância cada vez maior na descrição do real[32]. Não será demais recordar, por exemplo, que o cristão-novo João Fernandes, o livreiro mercador, em cuja loja Fernando Oliveira foi interpelado pelo seu inimigo João de Borgonha[33], patrocinou a segunda edição do primeiro e mais famoso tratado quinhentista português de aritmética, publicado em Lisboa, em 1530, da autoria de Gaspar Nicolás (Tratado da Prática d’Arismética. Lisboa, Germão Galharde, 1530).
Mesmo inacabado, este exercício de versão para português do tratado agrícola de Columela (o primeiro na Península Ibérica) revela-nos um autor ciente de que o seu trabalho, com esclarecimentos práticos e utilitários, seria de enorme proveito para a agricultura nacional, votada ao abandono, em consequência do recrudescimento do comércio marítimo. A sua preocupação com a exactidão e clareza da matéria, em que se cruzam, de modo fecundo, os dados fornecidos pelas fontes antigas e modernas e pela própria experiência pessoal, é disso prova evidente. E tal preocupação define uma nova atitude perante o saber, característica do humanismo português, de que o autor é, sem dúvida, um dos mais lídimos representantes.
[1]Este trabalho, não obstante ter sido ampliado e enriquecido com novos dados, resulta de uma conferência, com o mesmo título, proferida no Colóquio «Fernão de Oliveira (c. 1507 – c. 1582): Modelo de Sábio Humanista», que teve lugar na Sociedade de Geografia de Lisboa, no dia 14 de Dezembro de 2007.
[2] Cf. Antonio FONTÁN, «Escritores hispanos en el siglo de Columela»: José María MAESTRE MAESTRE – Luis CHARLO BREA – Antonio SERRANO CUETO (eds.), Estudios sobre Columela. Cádiz, Ayuntamiente de Cádiz – Cátedra Municipal de Cultura "Adolfo de Castro" – Servicio de Publicaciones de la Universidad de Cádiz, 1997, p. 24. Embora seja difícil aferir o grau de adesão de Columela ao estoicismo, convém notar que algumas das suas posições ideológicas estão bastante próximas das doutrinas de Séneca. É disso exemplo o trato humanitário dos escravos que Columela defende e afirma praticar (Sen. Ben. 3.21.1). A este respeito, deve sublinhar-se a visão crítica que Fernando Oliveira manifesta sobre a escravatura no seu tempo. Cf. Fernando OLIVEIRA, Arte da Guerra do Mar. Lisboa, Ministério da Marinha, 1969, pp. 24-25.
[3] Col. 9.16.2; 10, Praef. 3-4.
[4] Verg. G. 4.147-148.
[5] Sobre as manifestações da poesia didáctica no século I d. C., de que o livro X do tratado de Columela é um exemplo, cf. António Manuel L. ANDRADE, «A poesia didáctica no século I d. C.: manifestações de um género literário»: Aires A. NASCIMENTO (coordenação editorial), De Augusto a Adriano. Actas de Colóquio de Literatura Latina (Lisboa, 2000. Novembro. 29-30). Lisboa, Euphrosyne – Centro de Estudos Clássicos, 2002, pp. 25-32.
[6] Cf. Jesús LUQUE MORENO, «Columela, poeta y científico: el libro X del tratado de agricultura»: José María MAESTRE MAESTRE – Luis CHARLO BREA – Antonio SERRANO CUETO (eds.), op. cit., p. 116.
[7] Servimo-nos da apresentação de Moses Bensabat AMZALAK, Columela e a Economia Agrícola. Lisboa, Academia das Ciências – Biblioteca de Altos Estudos, 1953, p. 10. Nesta mesma obra, encontra-se uma descrição pormenorizada do conteúdo dos vários capítulos de cada um dos livros do tratado, cf. «Plano e conteúdo do livro "De re rustica" de Columela», pp. 41-50.
[8] Para uma análise criteriosa da história dos manuscritos e das edições do tratado de Columela, cf. José María MAESTRE MAESTRE, «Columela y los Humanistas»: José María MAESTRE MAESTRE – Luis CHARLO BREA – Antonio SERRANO CUETO (eds.), op. cit., pp. 263-309. Fizemos uso da listagem das edições do tratado que figura na página 267 do estudo supracitado, compreendendo o período que vai desde a editio princeps, em 1472, até finais do século XVIII.
[9] José María MAESTRE MAESTRE, «Columela y los Humanistas»: op. cit., pp. 309-312, apresenta uma relação das principais traduções do tratado columeliano para as línguas modernas. Note-se, porém, que não refere as traduções parciais de Louis Meigret e de Fernando Oliveira.
[10] Le tiers & quatriesme liures de Lucius Moderatus Columella, touchant le labour, traduictz de langue latine en francoyse par Loys Megret. Paris, Denis Ianot, [1542]. Veja-se a descrição bibliográfica pormenorizada desta obra, da qual se conhecem apenas dois exemplares à guarda da Biblioteca Municipal de Lyon e da Bristish Library, publicada por Franz Josef Hausmann, no seu estudo Louis Meigret, humaniste et linguiste. Tübingen, Narr, 1980, pp. 250-251.
[11] Le tretté de la grammere françoeze. Paris, Chés Chrestian Wechel, 1550. A gramática teve uma edição moderna estabelecida por Franz Josef Hausmann (Louis Meigret, Le traité de la grammaire française (1550). Tübingen, Narr, 1980).
[12] A obra de Franz Josef Hausmann, Louis Meigret, humaniste et linguiste, op. cit., continua a ser o estudo de referência sobre a vida e obra do humanista de Lião.
[13] Sobre a presença de Columela em Espanha, veja-se o importante trabalho de José Ignacio GARCÍA ALMENDÁRIZ, Agronomía y tradición clásica: Columela en España. Sevilla, Universidad de Sevilla–Universidad de Cádiz, 1995.
[14] Eduardo FRANCO, O mito de Portugal: a primeira História de Portugal e a sua função política. Lisboa, Roma Editora – Fundação Maria Manuela e Vasco de Albuquerque d’Orey, 2000, pp. 69-70.
[15] Os redactores desta revista de pendor científico, com periodicidade trimestral, do qual saíram ao todo 16 tomos, entre 1818 e 1822, foram Francisco Solano Constâncio, José Diogo de Mascarenhas Neto, Cândido José Xavier da Silva e Luís da Silva Mousinho de Albuquerque. Cf. Fátima NUNES, "Notas para o estudo do periodismo científico em Portugal: «Annaes das Sciencias das Artes e das Letras» (1818-1822)’’, Cultura, História e Filosofia 6 (1987), pp. 661-682.
[16] A transcrição integral da versão portuguesa de Fernando Oliveira foi publicada, por partes, nos vols. IV-XII do periódico Annaes das Sciencias, das Artes, e das Letras (Paris, 1819-1821).
[17] O códice foi descrito por Paul Teyssier, «L’Historia de Portugal de Fernando Oliveira d’après le manuscrit de la Bibliothèque Nationale de Paris»: Actas do III Colóquio Internacional de Estudos Luso-Brasileiros, vol. I. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1959, pp. 360-362. Mais recentemente a história deste códice, em particular no que concerne à versão do humanista português, foi objecto de um estudo de Ana Maria S. TARRÍO, intitulado «La sombra protectora del cardenal Mazarino. Sobre la fortuna manuscrita de la traducción de Columela de Fernando Oliveira»: Maria das Graças Moreira de SÁ , Isabel ALMEIDA e Cristina SOBRAL (coords.), Magnum Miraculum est Homo. José Vitorino de Pina Martins e o Humanismo. Lisboa, Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa, 2008, pp. 83-93.
[18] Annaes das Sciencias, das Artes, e das Letras, tomo IX, parte I, (Paris 1820), pp. 3-25. Mousinho de Albuquerque publicou as Geórgicas Portuguesas, em Paris, no ano de 1820, dedicando-as à sua mulher, filha do próprio fundador dos Annaes, o desembargador José Diogo de Mascarenhas Neto, também exilado em Paris. Entre 1821 e 1822, Mousinho de Albuquerque publicou na revista vários artigos sobre agricultura portuguesa e indústria.
[19] Fernão de OLIVEIRA, Gramática da Linguagem Portuguesa (1536). Edição crítica, semidiplomática e anastática por Amadeu Torres e Carlos Assunção com um estudo introdutório do Prof. Eugénio Coseriu. Lisboa, Academia das Ciências de Lisboa, 2000.
[20] Sobre as prováveis motivações que levaram Fernando Oliveira a traduzir o tratado de Columela, cf. Ana Maria S. TARRÍO, «Construcción naval y ‘materia rústica’. La traducción de Columela de Fernando Oliveira (BnF, Fond Portugais, n.º 12, fols. 147-272)»: Cuadernos de Estudios Borjanos 50-51 (2007-2008), pp. 171-195.
[21] Sobre a natureza e os objectivos deste tipo de literatura parenética, cf. Maria de Lurdes C. FERNANDES, «Do manual de confessores ao guia de penitentes. Orientações e caminhos da confissão no Portugal pós-Trento»: Via Spiritus 2 (1995), 47-65.
[22] A primeira edição desta obra, atribuída comummente a Frei Rodrigo do Porto, foi publicada em Coimbra, em 1549, nos prelos de João Álvares. Sobre as sucessivas adaptações, traduções e edições deste manual, nomeadamente as da autoria de Martín Azpilcueta Navarro, cf. A. Pereira da SILVA, «A primeira suma portuguesa de teologia moral e a sua relação com o «Manual» de Navarro»: Didaskalia 5 (1975), 355-403.
[23] Note-se que foi o mesmo João Álvares que deu à estampa, em Coimbra, a segunda e última obra publicada em vida de Fernando Oliveira, ou seja, a Arte da Guerra do Mar, em 1555.
[24] Para fazer o cotejo com o texto de Fernando de Oliveira, servimo-nos das edições conimbricenses de 1552 (Manual de Confessores e Penitentes. In inclyta Conimbrica, Ioannes Barrerius et Ioannes Alvarez excudebat, 1552) e de 1560 (Manual de Confessores e Penitentes. Impresso em Coimbra, por Ioam de Barreyra, 1560). Citamos pela edição de 1560, da qual há duas reproduções digitais, uma na Biblioteca Nacional de Portugal, outra na Biblioteca Digital da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
[25] Segundo Antonio de Nebrija, nas palavras de Fernando Oliveira, 1 módio latino = 1 celamin castelhano = 1 almude castelhano = 1/12 fanega castelhana (=4,6 litros). Estamos gratos ao Prof. Luís Seabra Lopes pelo auxílio que nos prestou no esclarecimento das relações estabelecidas pelo tradutor entre a capacidade das medidas castelhanas e portuguesas. Remetemos os interessados nesta matéria para os estudos de Luís Seabra LOPES, «Sistemas Legais de Medidas de Peso e Capacidade, do Condado Portucalense ao Século XVI»: Portugalia, Nova Série, 24 (2003), pp. 113-164; «A Cultura da Medição em Portugal ao longo da História»: Educação e Matemática 84 (Setembro-Outubro 2005), pp. 42-48.
[26] Elio Antonio de NEBRIJA, Repetición sexta sobre las medidas. Introducción, traducción y notas de Jenaro Costas Rodríguez. Salamanca, Ediciones Universidad de Salamanca, 1981.
[27] Sobre os ecos de Columela na obra de Nebrija, cf. Gregorio HINOJO ANDRÉS, «Reminiscencias de Columela en Nebrija»: Excerpta Philologica 1 (1991), pp. 333-342.
[28] A justificação apresentada por Fernando Oliveira é simplesmente inexplicável, dado que o ‘almude’ existiu em Portugal, desde época anterior à fundação da nacionalidade, e manteve-se em utilização constante ao longo dos séculos. Foi, aliás, umas das principais medidas em Portugal, a par do alqueire e do moio, e fazia parte do sistema legal português no tempo do tradutor.
[29] Referimo-nos à epístola de «Hieron. Cardosus Ferdinando Oliuerio suo S. P. D.» publicada em Epistolarium Familiarium Libellum. Olysipone, apud Ioannem Barrerium, 1556, pp. 29-30. A referida carta foi editada e traduzida, em primeiro lugar por Henrique Lopes de MENDONÇA, O Padre Fernando Oliveira e a sua obra Náutica. Lisboa, Typographia da Academia Real das Sciencias, 1898, pp. 71-72 e 143-144; e, mais recentemente, por Telmo Corujo dos REIS, Jerónimo CARDOSO, Obra Literária. Tomo I. Prosa Latina. Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra, 2009 (Portugaliae Monumenta Neolatina, vol. VII), pp. 178-181.
[30] Jerónimo CARDOSO, De monetis tam Graecis quam Latinis. Item de ponderibus et mensuris ad praesentem usum redactis, anacephalaeosis. Conimbricae, apud Ioannem Aluarum Typographum Regium, 1561. Esta obra acaba de ser reeditada e traduzida por Telmo Corujo dos REIS em Jerónimo CARDOSO, Obra Literária. Tomo II. Poesia Latina. Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra, 2009 (Portugaliae Monumenta Neolatina, vol. VIII), pp. 82-105.
[31] Citamos uma afirmação deste investigador publicada na sua introdução da obra Jerónimo CARDOSO, Oração de Sapiência Proferida em Louvor de todas as Disciplinas, reprodução fac-similada da edição de 1550, trad. De Miguel Pinto de Meneses e introd. de Justino Mendes de Almeida. Lisboa, Instituto de Alta Cultura – Centro de Estudos de Psicologia e de História da Filosofia anexo à Faculdade de Letras de Lisboa, 1965, p. 7.
[32] Cf. A. A. Marques de Almeida, A Aritmética como Descrição do Real (1519-1679). Lisboa, Comissão para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses – Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1994, 2 vols.
[33] No calor desta altercação com o também livreiro Luís de Borgonha, Fernando Oliveira veio a terreiro em defesa de Henrique VIII, o que lhe havia de valer um processo inquisitorial, na sequência do qual foi preso e sentenciado em auto-de-fé, em Setembro de 1548 (IAN-TT, Inquisição de Lisboa, Proc. 12099). Veja-se a transcrição integral do feito-crime de Fernando Oliveira publicada por Henrique Lopes de MENDONÇA, op. cit., pp. 99-128.
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El cepo y el torno:la reclusción femenina en el Madrid del siglo XVIII
Victoria López Barahona
Se expone en este libro un estudio de las mujeres encerradas en la Galera y los hospicios de Corte y de San Fernando, principalmente; todas ellas instituciones penales, asilares y correccionales, de carácter civil, en el Madrid del Setecientos. No se trata de un análisis institucional o de los conceptos de pobreza, beneficencia y penalidad que inspiraron la creación de estos centros de internamiento, temas para los que contamos ya con una importante bibliografía, sino de una aproximación desde la perspectiva de las propias reclusas encuadrada para su análisis en el contexto de las unidades domésticas y familiares. Un enfoque, sin duda, menos explorado y a través del cual se hace factible un análisis de clase y género.
La atención de la investigación se dirige hacia las condiciones sociales y laborales de estas mujeres, la composición y economía de sus unidades domésticas, su relación con el mercado de trabajo, los delitos por los que penan, sus condiciones de vida y experiencias de reclusión y sus formas de resistencia y rebelión. Y así mismo, se ha interesado este estudio por la percepción que tuvieron las reclusas y su entorno social del fenómeno de las redadas de pobres y del encierro correctivo-asistencial, que, aunque visto aquí en la delimitación que indica Madrid y su Tierra, es un fenómeno característico de la Europa de la Edad Moderna. Son, pues, términos del análisis que se sitúan en el marco del orden patriarcal de la sociedad del Antiguo Régimen y en el general de la política social de los gobiernos reformistas de la segunda mitad del siglo XVIII.
El sustento empírico de este estudio es una selección de 190 casos de mujeres y hombres reclusos, extraída de los fondos de la sección de Consejos Suprimidos del Archivo Histórico Nacional, así como de otras secciones del Archivo General de Simancas y del Archivo de la Real Chancillería de Valladolid.
UTOPÍAS Y PROGRESOS: MUJER SANTIAGUERA EN LA ENCRUCIJADA DE LA MODERNIDAD
Ivette Sóñora Soto
Universidad de Oriente, Santiago de Cuba[1]
Los fundadores de la República en Santiago de Cuba tenían entre sus propuestas hacer realidad las ideas de la democracia, consideraban establecer un régimen de amplias libertades públicas nacidas del sufragio universal; la reestructuración de las instituciones y de las prácticas sociales se convirtió, entonces, en pieza indispensable para la modernización de la sociedad. Los santiagueros planteaban, en un primer momento, la autonomía y la descentralización de los municipios, para ello se acogen al Decreto Autonómico de 1897[2] y con ello la salida de los moldes coloniales que entroncaban con la decadencia de la dominación de la metrópoli española. Sin embargo, esto entraba en contradicción con los intereses del Gobierno interventor que buscaba mantener las ataduras y definió su intención neocolonialista y anexionista en el manejo que se realizó en la organización del poder municipal al mantener parcialmente la arcaica legislación colonial[3].
Los santiagueros concebían la transformación de la sociedad a partir de las nuevas visiones de modernidad[4] y progreso que traían entre sus presupuestos la intervención militar norteamericana. La presencia de Estados Unidos significó la redefinición de las representaciones de la nación, la ciudadanía y la identidad que hasta ese momento se definía en constante antítesis de la visión que proyectaba la corona española, lo que aceleró un proceso de confrontación entre las costumbres y tradiciones heredadas de España y las nuevas traídas por el otro.
Esta identificación diferente, nacida desde considerarse más moderno que el español, pues estaba dispuesto a asimilar con mayor presteza las conquistas del progreso[5], mentalidad enriquecida además, por la emigración tan fuerte que hubo en el último tercio del siglo XIX, que les permitió comparar y advertir la delineada desproporción entre la sociedad estática y jerarquizada de la colonia con el desarrollo que percibían en el “gran país”[6]; no obstante, esto generó la reflexión y la necesidad de fortalecer la identidad y los conceptos de nación y patria como pautas inevitables contra la avalancha de nuevas simbologías que intentaban opacar la necesidad de un estado independiente[7].
También significó un proyecto de transformación de la sociedad cubana, la cual no tenía más opción que seguir el patrón de modernidad diseñado por los norteamericanos, impregnado por la admiración que sentían por las expresiones culturales, el sistema de Gobierno y el modo de vida estadounidense. No obstante, tal proceso no supuso la adopción mimética de los modelos importados, pues emergieron a la par fuertes corrientes de patriotismo nacionalista que se enzarzaban en batallas simbólicas, de costumbres y hábitos que decidían el derrotero de lo cultural y lo nacional. Este rumbo ayudó a llenar la crisis de identidades que traía aparejada el nuevo estado de cosas, “el modernismo cultural en vez de ser un desnacionalizador, dio el impulso y el repertorio de símbolos para la construcción de la identidad nacional”[8].
La modernidad no funcionó como el rompimiento abrupto entre lo tradicional y lo moderno, sino que se dio un proceso de hibridación donde no hubo una sustitución radical de la herencia hispánica y lo autóctono por los intentos de renovación a ultranza de la tradición norteamericana. La modernidad se convirtió en un entramado de definiciones, arquetipos y tomas de conciencia. El rechazo a las formas caducas y degenerativas de los moldes coloniales atrasados, envejecidos, se proyectó como un valor de la sociedad moderna, pero con un sentido de pertenencia al mercado de símbolos transmitidos por las guerras de independencias. José Martí se convirtió en la metáfora por antonomasia de la patria y la libertad. Se redefinían así las nociones de pertenencia a la nación y los conceptos de identidad nacional y nacionalismo en relación con la presencia imperialista de Norteamérica, a partir de las interpretaciones en el universo de lo simbólico-discursivo devenidas de la intervención.
A pesar de las desventajas económicas y políticas con relación a La Habana, estos hombres acometieron la construcción jurídica de su ciudadanía, y excluyeron de facto a la mujer como ciudadana. En los debates de la Convención Constituyente de 1901, opinaron contra la participación femenina en el sufragio universal. La mujer en este caso se debatiría en el cuestionamiento: ¿súbditas o ciudadanas dentro de la República? Esto hizo que inclinaran su mirada hacia un discurso feminista de mayor solidez heredado, en principio, de la emigración. La fundación del Partido Revolucionario Cubano, junto con la labor de las mujeres dentro de los clubes y su participación activa en la organización y el apoyo a la guerra, creó en ellas nuevas perspectivas identitarias. El cambio de mentalidad se hizo evidente, los clubes femeninos facilitaron la participación pública de las mujeres en los mítines y reuniones donde se debatían los destinos de la patria. Esta nueva visión entra a Cuba. No en balde fue una mujer santiaguera quien puso flores, a un año de la muerte de José Martí, en el nicho donde se guardaban los restos del Apóstol y en 1899 fundara junto a otras mujeres, la Sociedad Admiradoras de José Martí. Por tanto, se puede decir que el período de intervención también fue un facilitador en la divulgación del feminismo como ingrediente importante de la modernización social.
Al ser Santiago de Cuba la primera ciudad ocupada por los Estados Unidos durante la Guerra Cubana Hispanoamericana, se apreció más definida la intención neocolonialista y anexionista de la potencia norteña en el manejo que se realizó en la organización del poder municipal. Poder que, carente de una legislación orgánica y controlado por la fuerza interventora, derivaría en centro de luchas y tendencias políticas, más acentuadas una vez instaurada la República por la práctica política corrupta y personalista del Estado [9].
La Ocupación norteamericana negó la autonomía de los municipios al adecuar a sus intereses la legislación española. Instaurada ya la República los Concejales exigieron autonomía, además de incluir en el presupuesto de la nación una suma que permitiera rebasar la huella colonia y salir de la insalubridad así como superar la condición rural en que aún estaba sumida la ciudad. Según lo interpreta María de los Ángeles Meriño:
Lo digno de toda esta oposición es el reiterado reclamo de autonomía para los municipios, el constante llamado de atención sobre la situación del país y de la ciudad en particular. Todos se perdían en la impotencia de no poder hacer realidad las ideas de modernidad, de ampliar los horizontes materiales y espirituales de los habitantes de Santiago de Cuba, capital de Oriente, con toda la carga de simbólico patriotismo que esto encerraba[10].
En medio de estas circunstancias, los presupuestos de la modernidad que traía la presencia militar norteamericana en la ciudad y el mantenimiento de los moldes coloniales en lo administrativo de la ciudad, ¿qué significaba ser mujer moderna y santiaguera?
El feminismo, como postulado de una actitud y un modo de pensar, resultó un camino en medio de un escenario donde la mujer se mantenía excluida. El movimiento feminista se presentó como una fuerza cuadriculada, trazada por cuatro coordenadas: emancipador, renovador, democratizador, expansivo[11]. Lo tomé como proyecto emancipador porque produjo un discurso autoexpresivo donde las prácticas simbólicas se hicieron comunes en la lucha por el sufragio; el individualismo característico del capitalismo se resolvió en el reconocimiento y redefinición identitaria, creó en las mujeres que se inscribieron o no en el presupuesto feminista una nueva perspectiva de género.
Como proyecto renovador planteó el mejoramiento de vida, y político al hacerse visible dentro del entramado de la sociedad; y un cambio de conceptos, en cuanto a la visión de la mujer: ángel del hogar y en su función como ser – para – los – otros. Es la óptica que expresa las aspiraciones de participar como alteridad social del hombre.
Denominamos proyecto democratizador a la confianza en la educación que facilitaría igualdad de oportunidades entre hombres y mujeres, el conocimiento especializado adquirido en la participación amplia en las universidades para lograr una evolución racional y moral de la República por la cual se derramó tanta sangre.
Lo llamamos expansivo porque no sólo se quedó en la élite, sino que trascendió a las clases más pobres e intentó ir más allá del color de la piel, promovió una simbología donde todas las mujeres pudieran mirarse en su propio espejo.
Esto permitió a la santiaguera (re) definirse como agente activo en uno de los movimientos basado en la identidad femenina al encarnar la categoría de ciudadana cubana. Es el discernimiento de un “nosotros” que lleva implícita la idiosincrasia particular donde delimita o sustenta relaciones de alteridad o conflicto de distanciamiento con el “otro” y la visión que tiene de “nosotros”, en la diferencia. Es la creencia en valías propias compartidas y diferenciadas de las de “otros”. Esta conciencia de lo nacional entronca en símbolos, iconos[12] que se determinaron en la participación de las santiagueras por el cuidado y la construcción de un mausoleo al Maestro. El ideal martiano se convirtió en marca de identidad, presente no sólo en el accionar de estas mujeres sino en la actuación como herramienta esencial de memoria y valores cotidianos.
Ante la segregación política, las mujeres se adscribieron a la lucha por el sufragio, el cual redefinía sus aspiraciones hacia la igualdad civil y política de hombres y mujeres. El sufragismo intentó disciplinar, dar una visión de la identidad de la mujer cubana para hacerla compatible e inscribirla en los discursos democráticos y liberales que presupuestaban y sustentaban el edificio republicano.
La identidad femenina, bajo el constructo ciudadana cubana, constituía un axiomático argumento a favor del sufragio femenino, lo que representó un intento de legitimación a través de una (re)definición identitaria y un empeño de reclamar la “existencia pública” o la ciudadanía política.
El voto instrumentó el medio por el cual las mujeres podrían insertarse como “seres humanos” racionales y como ciudadanas políticas, responsables dentro de la macro política de la República, al posibilitar así su entrada en relaciones y espacios contestatarios de poder hegemonizados por los hombres. Hicieron valer su participación en las guerras de independencias. La ciudadanía política sería la legitimación de su voz en el proceso de delinear el futuro de la nación. De esta manera, se viabilizaba la apropiación de una ciudadanía cultural que simultáneamente legitimaba y reforzaba el reclamo de la ciudadanía política pues se inscribieron en las tendencias políticas que marcó por la diversidad el entorno social cubano.
Mujeres: Opinión y estrategias
El proceso económico, político-social sobre el cual se construyó el imaginario y el simbolismo del discurso femenino en las primeras décadas de la República fue sumamente dinámico y complicado para todas las capas y sectores sociales. La reflexión y exposición de las mujeres se vertebraron en un papel diferente hasta ese momento asumido y establecido, decidieron trascender los marcos del hogar y la identidad personal de “ángel” o “la perfecta casada”, se decidieron por la lucha para obtener el sufragio y la prerrogativa de hablar sobre igualdad. Simultáneamente entre ellas se plantearon un cambio de mentalidad: hacer comprender no sólo a los hombres sino a las mismas mujeres cuál era el significado del feminismo.
¿Cómo pensaba la intelectual del feminismo?
Ante esta interrogante Ofelia Rodríguez Acosta[13] responde en “La intelectual feminista y la feminista no intelectual”. Con luces claras definiría esta necesidad del cambio de mentalidad:
¿Qué entiende la mujer por feminismo? Simplistas en sus apreciaciones, rudimentarias en sus procedimientos, la mayoría de las mujeres ven en el feminismo sólo una doctrina implantadora de ideales de libertad y emancipación…
Los conceptos más conocidos del feminismo, esos que inflaman la palabra de la militante, y que llegan como una información previa a la mentalidad común, son: la emancipación secular esclavitud en la que con respecto al hombre, ha vivido la mujer, la independencia económica, y el derecho político.
Pero todo esto, de una gran importancia y de un gran interés en el movimiento feminista no es lo de más trascendencia. El genuino triunfo del feminismo no está en las urnas, ni en la independencia social y económica de la mujer. Está en su estructura mental, en su concepto de la vida y en la apreciación que haga, en la intervención que tenga de la cultura del mundo.
Porque es el cerebro de la mujer donde se debe dar el pensamiento, la idea del feminismo, y mientras ella no depure sus sentimientos en el estudio doloroso, la mujer no habrá hecho más que cambiar de esclava pasiva en esclava rebelde, pero no habrá llegado a ser aún mujer libre[14].
La mujer debía comprender que en sus manos estaba ejercitar sus derechos con plena conciencia de sus deberes y derechos cívicos, a convertirse en ciudadana activa y responsable, también debía proponerse un cambio en sus actitudes mentales. Ahora bien, ¿qué hicieron las mujeres santiagueras para participar en este cambio de mentalidad y convertirse en ciudadanas dentro de la República?
El conflicto estaba planteado desde la concepción de participación de la mujer en la vida política y la tradición antifeminista planteada por los hombres que nació a partir de los primeros planteamientos hechos por la mujer. Esta dicotomía se reveló a partir de la lucha por el sufragio y del acceso a la vida política y económica, que constituyen las coordenadas para estudiar las mentalidades de las mujeres y, particularmente, de las santiagueras.
Ellas, permeadas por el imaginario de las mujeres norteamericanas vistas a través del tamiz habanero, estuvieron muy influidas por el positivismo de la época, que exaltaba los valores de la igualdad, el afán de progreso, la creencia ciega en la ciencia, la admiración por los intelectuales y la cultura como factores de modernización. Esta corriente de pensamiento influyó en la formación de un grupo de mujeres que participaron notablemente en la construcción de una ciudadanía más amplia y diferenciada, así como en la configuración de una identidad de género[15]. Así fue como se imbricaron en las luchas por el sufragio.
Entre 1909 – 1913, se organizaron las primeras asociaciones feministas en La Habana[16]. Sin embargo la necesidad de unificarse llegó a Santiago de Cuba hacia 1920, cuando se integraron en la filial creada por el Club Femenino de Cuba. Mariblanca Sabas Alomá, comisionada por la Directiva Nacional, da a conocer en el Diario de Cuba el programa por el que se regirían:
A ellos se encaminan todos nuestros esfuerzos; elevarla por medio de la institución fundando escuelas nocturnas para obreras, escuelas de enseñanzas cívicas, escuela de economía doméstica, labores, artes y oficios; dignificándola por medio de leyes justas y necesarias gestionando en la actualidad tales como: “Nacionalidad propia para la mujer”. –“Acceso a los mismos destinos que el hombre, con derecho a los mismos sueldos que ellos perciban”. –“Revisión de la Ley sobre el adulterio, de la Ley sobre la trata de blancas y del Código penal”. –Concepción de todos los derechos políticos[17].
También alude a los nuevos proyectos, como la elección de la comisión que se reunirá para estudiar y redactar el programa del nuevo Club, la fundación de la Sociedad de Maternidad, que le prestaría a las mujeres pobres la asistencia necesaria antes y después del parto, mediante una módica cuota; la organización del primer Congreso Femenino Nacional; exigir que en los establecimientos de moda femenina el personal fuera exclusivamente femenino y realizar la gestión con el gobierno de seis becas en Roma para estudiar el Sistema de Enseñanza Monteson. Además de organizar certámenes literarios y fiestas culturales, Mariblanca Sabas para lograr realizar estos proyectos cuenta sobre todo con las profesoras de Instrucción Pública[18].
¿Por qué las maestras? Ya éstas habían legitimado su participación dentro de la sociedad. Perpetuar la obra de José Martí fue el principio de unión, de identidad por el bien de la Patria, el ideal de organización y responsabilidad cívica y política, de identidad genérica.
El Diario de Cuba, en ocasiones, se hizo eco de la importancia de la integración de las mujeres en federaciones femeninas. Bajo el sugestivo título: “La mujer cubana se dispone a laborar en bien de su Patria”, anunciaba que: “Las mujeres más cultas, las que más nombre tienen en las ciencias y en las artes y las letras, y las que tienen la gloria de pertenecer a familias que más se distinguieron en la emancipación de Cuba, formar parte principalísima de la Federación de Asociaciones Femeninas”[19].
En el mes de marzo de 1923, antes de que se realizara el Congreso Nacional, el día 5, en el Grop Catalunya se efectúa la asamblea de constitución del comité provincial que designaría la representación femenina por Oriente al magno evento[20], la misma quedaría integrada por: Presidenta: María Caro de Chacón, 1er Vice: Dra. Libia Escanaverino; 2da Vice: Amelia Casado de Carbonell; Secretaria: Mariblanca Sabas Alomá; Vice secretaria: Amparo Soler Soler; Tesorera: Violeta Cardero; Vice tesorera: Gloria Ortiz Portuondo; Vocales: Teresa Cardero de Molina, Juana Pell de Martínez, Lina Abreu, Concepción Ortiz, Juana Falcón Mariño, Fe Cardero, María Ávila, Vda. de Martínez; Aurora Cazade; Dolores Martínez, Vda. de Aguirre, Claro Mayore, Lorenza Cuesta, Luz Paeau, Joaquina Bosdoutt Martínez, Julia Breu, Ana Caballero y María González. Terminado el proceso de elección, Mariblanca Sabas Alomá, en sus funciones de secretaria leyó el Reglamento del futuro Congreso[21], y el evento terminó con un apasionado discurso de la señora Isabel Martínez de Alquizar[22], donde se refirió a los ideales feministas y las expectativas que despertaba Oriente en el movimiento, en pro de los ideales promovidos por esta organización.
Por último, y después de lo expuesto se puede concluir que la manifiesta orientación futurista de la modernidad estuvo estrechamente relacionada con la fe en el progreso y en el poder de la razón humana para impulsar la libertad. Aunque se enmarca en logros científicos, la tecnología y la política democrática, también se refleja en cambios profundos en la vida cotidiana. Los temas sobre la identidad y la autoridad se presentan de formas nuevas y apremiantes, a la vez que se cuestionan, pues se renuevan las normas que se dan por supuestas por otras diferentes vinculadas con la rutina de la vida. Si lo que caracteriza la modernidad está dado en gran medida por contraste con la época que la antecede, no debe extrañar que la ruptura con la tradición aparezca como su condición cardinal. De ahí se deduce como el principal impulso de la modernidad, la transformación de las sociedades tradicionales, la idea del cambio y progreso.[23] La implantación de la República era el rompimiento con la sujeción española, el atraso que significaba la metrópoli. La República significaba desarrollo y nuevas miras, la fe en el futuro y el valor de lo nuevo, a partir de los modernos símbolos que entraban con Norteamérica en la cultura y en lo económico.
La mujer se sitúa dentro de un eje de redefiniciones y aprehensión de la conciencia y la identidad genérica, a partir de las luchas por la emancipación de la patria. Su entrada a la modernidad le permitió entroncar con el feminismo que, al organizarse dentro de una lucha emancipadora y en la búsqueda de hacer realidad sus planteamientos con la lucha por el sufragio. Logró articular teóricamente un conjunto de ideas y de reivindicaciones coherentes, que le permitiría a la mujer incorporarse como alteridad del hombre en la sociedad.
Aunque el sufragio femenino no trajo un cambio de significación considerable, sí modificó, de cierta manera, la visión de los partidos políticos del período, ya que trataron de usar las peticiones femeninas en uno u otro momento para obtener preeminencia política. El movimiento feminista y, en particular, las sufragistas, contribuyeron a modificar las opiniones y la orientación de las iniciativas de las administraciones en las primeras décadas de la República, para llegar a soluciones concretas.
Notas
[1] Departamento de Historia de la Universidad de Oriente. Grupo Equidad de género
[2] Este Decreto les permitía elegir a sus alcaldes y a los tenientes de Alcalde sin que el Gobernador de la provincia interviniera y designara los que habrían de ocupar estos puestos, ya que sufrían demasiado la centralización y concentración del poder en manos del Capitán General en La Habana y del Gobernador de provincia designado y controlado por éste, y sobre todo porque el peso de los cargos de administración públicas estaban reservados para los españoles y esto les impedía un desarrollo social, político y económico según sus intereses. España al decidir expulsar a los representantes de las islas de Puerto Rico y de Cuba de las Cortes españolas, les hacía difícil promover sus inquietudes, y al mismo tiempo que estas islas fueran regidas por leyes que excluían a los súbditos coloniales de las instituciones jurídicas, políticas de la metrópoli, la centralización de funciones le restaba autoridad a los ayuntamientos y gobiernos provinciales, con estas medidas buscaba un mayor control de lo que les quedaba de sus posesiones coloniales.
[3] Es importante señalar que el Gobierno militar de intervención (1898-1902) no prestó interés en modernizar la legislación española en torno al municipio, sino que a tono con sus aspiraciones de dominio emplea las directivas de dicha legislación adecuándolas al experimento neocolonial, negándole la autonomía a los municipios e instaurando un verdadero caos legislativo con las Órdenes Militares que trataron de superar los inconvenientes más notables de las leyes españolas. María de los Ángeles Meriño: “A manera de introducción”, en María de los Ángeles Meriño: Gobierno municipal y partidos políticos en Santiago de Cuba (1898- 1912). Ediciones Santiago, Santiago de Cuba, 2001, p. 28.
[4] Así, para el análisis del caso cubano, la “modernidad” se entenderá […] como una realidad social caracterizada por el libre flujo de mercancías y factores productivos, cuya economía se sustenta en el trabajo asalariado y tiene al predominio de la producción industrial. La organización de esa sociedad ya no descansa en diferencias de origen o condición, de modo que sus formas jurídicas y estatales responden a los requerimientos del mercado y el régimen de propiedad; las formas de sociabilidad se reajustan sobre una base individual representada por los ciudadanos. Los estados se rigen por sistemas representativos de Gobierno y sus estructuras políticas se adecuan a los espacios –nacionales e internacionales –, en los cuales se verifican los procesos económicos. La creciente presencia de la vida urbana y las formas de conciencia vinculadas a las relaciones mercantiles calorizan la adopción de costumbres laicas y seculares, el predominio de una visión científica de la realidad y un ansia de progreso que tienen su sustrato en la universalización de la educación. Oscar Zanetti: “Nación y modernización; significados del 98 cubano”, en República: notas sobre economía y sociedad, pp. 7-8.
[5] Ibíd. p. 16.
[6] Bienes materiales, costumbres e ideas norteamericanas vendrían a enriquecer así los atributos que distinguían a los cubanos de los españoles. Y en ciertos casos –como el del béisbol – esos valores culturales fueron aprovechados de manera consciente a escala social para marcar, distancias con lo español, de forma tal que se hiciese todavía más evidente la existencia en Cuba de una identidad nacional bien diferenciada. Ibíd. p. 17.
[7] La confrontación de los valores y las costumbres coloniales con las representaciones políticas y culturales patrocinadas por las autoridades interventoras, generó un proceso de profunda reflexión sobre las bases mismas de la cultura nacional, de singular importancia para el devenir posterior de la nación en la era republicana […] Marial Iglesias Utset: “Introducción”, en Marial Iglesias Utset: Las metáforas del cambio en la vida cotidiana: Cuba 1898-1902, p.15.
[8] Néstor García Canclini: Culturas híbridas. Estrategias para entrar y salir de la Modernidad, pp. 65 – 93.
[9] Para profundizar en el tema ver María de los Ángeles Meriño: Op. cit.
[10] Ibídem, p. 58
[11] Néstor García Canclini reconoce en la modernidad cuatro movimientos básicos: un proyecto emancipador, un proyecto expansivo, un proyecto renovador y un proyecto democratizador. Tomé los conceptos para explicar el movimiento feminista porque considero que se adaptan perfectamente para explicar la influencia del movimiento en Cuba y en particular en Santiago de Cuba.
[12] Para tener una visión de conjunto de estos cambios ver de Marial Iglesias Utset: Op. cit. Revisé su tesis para optar el título de Maestría que dio como fruto dicho libro.
[13] Ofelia Rodríguez Acosta (1902-1975), nacida en Pinar del Río, fue escritora, y colaboradora de diferentes revistas y periódicos del período. En la Revista de La Habana estaba a cargo del sector Feminista.
[14] Ofelia Rodríguez Acosta: “La intelectual feminista y la feminista no intelectual”, en Revista de La Habana, La Habana, Año 1, nº 1, enero, 1930, p. 75 – 79.
[15] Joan. W Scott: “El género: una categoría útil para el análisis histórico”.
[16] Julio César González Pagés: En busca de un espacio: Historia de mujeres en Cuba.
[17] Mariblanca Sabas Alomá: “El Club Femenino de Cuba”, en Diario de Cuba, Santiago de Cuba, 25 de noviembre de 1920
[18] Ibídem
[19] “La mujer cubana se dispone a laborar en bien de su Patria”, en Diario de Cuba, Santiago de Cuba, 27 de febrero de 1923
[20] “El Primer Congreso Nacional de Mujeres de Cuba”, en El Cubano Libre, Santiago de Cuba, 5 de marzo de 1923
[21] “El Primer Congreso Nacional de Mujeres en Cuba”, en El Cubano Libre, Santiago de Cuba, 6 de marzo de 1923
[22] Comisionada por la Federación Nacional de Asociaciones Femeninas para crear y organizar en Santiago de Cuba el Club y elegir la delegada al Congreso Nacional de Mujeres a celebrarse del 1 al 7 de abril en La Habana
[23] David Lyon: Postmodernidad, pp. 44 – 57.
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Bibliografía
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García Canclini, Néstor: Culturas híbridas. Estrategias para entrar y salir de la Modernidad, Grijalbo, México, 1998.
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LA AUTORA
Ivette Sóñora Soto (Santiago de Cuba, 1963). Lic. en Filología. Master en Cultura Latinoamericana. Profesora del Departamento de Historia de la Universidad de Oriente. Investigadora y poetisa.
Méritos
Mención de poesía, Premio Heredia, 1994, La soledad de los comienzos.
Gran Premio Palma Real, 2004, con el cuento Borrascas y Elegía, convocado por la ACI, Torino, Italia y la Filial provincial de la UNEAC, Santiago de Cuba.
Premio de investigación al trabajo De la mujer a José Martí. Un homenaje desde Santiago de Cuba, auspiciado por la Oficina del Historiador de la Ciudad de Camagüey y la Filial Camagüeyana de la Unión Nacional de Historiadores de Cuba.
Mención con el trabajo Cotidianidad, ciudad, cultura, poesías: en confluencia, en el Primer Coloquio Internacional José María Heredia y Heredia: poesía, Identidad, Independencia y Nacionalidad.
Publicaciones
Poemas en las revistas La Porte des Poètes, Francia (1995); Fidelia, Ciego de Ávila (1995); Imago, Ciego de Avila (2000); Alhucema, España (2000); El Caserón, Santiago de Cuba.
Colina de los Espíritus, Ediciones Ávila, Ciego de Ávila, 2004.
“La ciudad y su cultura”, en: Santiago de Cuba en su 485 aniversario, Santiago de Cuba, 2000.
Ivette Sóñora y Alfredo Sánchez Falcón: “José María Callejas, el precursor”, en Rafael Duharte, Olga Portuondo, Ivette Sóñora (Coordinadores), Tres siglos de historiografía santiaguera, Editorial Oriente, Santiago de Cuba, 2001.
“Max Henríquez Ureña, un libro”, en: Rafael Duharte, Olga Portuondo, Ivette Sóñora (Coordinadores), Tres siglos de historiografía santiaguera, Editorial Oriente, Santiago de Cuba, 2001.
“Hacia una conciencia ciudadana de la mujer”, en: Olga Portuondo Zúñiga, Michael Max P. Zeuske Ludwig (Coordinadores): Ciudadanos en la Nación. Fritz Thyssen Stiftung, Oficina del Conservador de la Ciudad, Santiago de Cuba, 2003, Tomo I.
“De la mujer a José Martí. Un homenaje desde Santiago de Cuba”, en: Donde son más altas las palmas. La relación de José Martí con los santiagueros. Santiago de Cuba. Editorial Oriente, 2003.
“Utopía y progresos: Mujer santiaguera en la encrucijada de la modernidad”, en: Ivette Sóñora, Aida Morales, Rafael Duharte (Coordinadores): Memorias. Santiago de Cuba, Ediciones Santiago, Santiago de Cuba, Año 1, no.1, 2004.
“La Rémora. Obra notable de anticlericalismo”, en: Ivette Sóñora, Aida Morales, Rafael Duharte (Coordinadores): Memorias. Santiago de Cuba, Ediciones Santiago, Santiago de Cuba, Año 2, no.2, 2005.
“Ideario de San Antonio María Claret y Clara. Educación de la mujer y su ¿misión?”, en: Iglesia Católica y Nacionalidad Cubana. Memoria de los cuatro Encuentros Nacionales de Historia convocados por la Comisión Nacional de Pastoral de Cultura de la Conferencia de Obispos Católicos de Cuba, celebrados en la ciudad de Camagüey, Cuba. Joaquín Estada Montalbán, Editor y Compilador. Miami. Ediciones Universal, 2005. Tomo II.
“El mundo espiritual y ético- religioso de Tristán Medina. Momentos de su vida”, en: Iglesia Católica y Nacionalidad Cubana. Memoria de los cuatro Encuentros Nacionales de Historia convocados por la Comisión Nacional de Pastoral de Cultura de la Conferencia de Obispos Católicos de Cuba, celebrados en la ciudad de Camagüey, Cuba. Joaquín Estada Montalbán, Editor y Compilador. Miami. Ediciones Universal, 2005. Tomo II.
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“1898: Significación y resignificación de la masculinidad hegemónica y la Colonialidad del Poder” en Actas del Congreso Internacional de Psicología, VII Taller Internacional de Psicología Latinoamericana y del Caribe, en: Santiago. Revista de la Universidad de Oriente. Santiago de Cuba. Edición Especial 2007, No. 115, p. 938- 951. Publicado en la Red el 12 de julio de 2007 en el portal de literatura cubana Cuba Literaria
“María Cabrales: vida y acción revolucionarias”, en: De la tribu heroica. Anuario del Centro de Estudios Antonio Maceo Grajales, Santiago de Cuba, No. 3-4, 2006-2007. Ediciones Santiago, 2008.
“Estrategias y prácticas de la educación, ¿un modo peculiar de sortear la discriminación?” en: Acta de la Conferencia sobre la Diáspora en el Caribe. IX Taller de Africanía en el Caribe Ortiz- Lachatañeré, 12-16 de marzo de 2007. Santiago de Cuba. Centro Cultural Africano Fernando Ortiz. En: Actas del Congreso Internacional de Psicología, VII Taller Internacional de Psicología Latinoamericana y del Caribe, 2009.
"Conciencia Ciudadana. Cambio de Mentalidades y Utopías de la Mujer Santiaguera", en: VII Taller Internacional Mujeres en el Siglo XXI, 18 – 22 de mayo de 2009. Ciudad de La Habana. Universidad de La Habana Cátedra de la Mujer.
E- mail: ivette@csh.uo.edu.cu
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Fotografía de portada: Ofelia Rodríguez Acosta. Fuente: http://lanzarlaflecha.blogspot.com
Otros artículos sobre Ofelia Rodríguez Acosta en la Red : Zaida Capote Cruz "Otra de las figuraciones de la mujer moderna: la viajera", en laJiribilla, revista de cultura cubana
MUJERES, FEMINISMO Y CAMBIO SOCIAL, en Argentina, Chile y Uruguay 1890-1940
INTRODUCCIÓN
Para las mujeres latinoamericanas, el feminismo no ha sido un concepto ajeno. Ha ido creciendo sin pausa, a veces en condiciones de adversidad, y en las postrimerías del siglo xx, fue, para unos, artículo de fe y, para otros, objeto de discusión o de burla. Las raíces del feminismo brotaron en el último cuarto del siglo XIX, cuando los escritos femeninos en los medios de comunicación se cruzaron con el trabajo de la mujer en la industria para socavar la presunción aceptada de que las limitaciones que la ley y la costumbre imponían al sexo femenino eran necesarias para conservar la integridad de familia y sociedad. Las mujeres urbanas instruidas comenzaron a publicar versos, novelas y otras obras en prosa, principalmente en diarios y revistas, en la primera expresión sostenida de lo que pensaban". Aun, cuando muchas de ellas no hacían ninguna referencia particular a la condición de la mujer, su obra ofrecía una expresión elocuente de que estaban dispuestas a abrirse paso al lugar más sacrosanto del dominio masculino: el terreno intelectual.
Con todo, el mundo de la mujer no se componía sólo de literatura y educación. Crecía la demanda de su trabajo físico fuera del hogar y sus tareas domésticas. El desarrollo industrial, por ínfimo que fuera, reclamaba mano de obra barata y la mujer, en su calidad de asalariada, era un artículo comerciable. Era digna de confianza, dócil y de bajo costo. El crecimiento urbano y el desarrollo fabril trajeron consigo fluctuaciones inquietantes en el valor del dinero y en el costo de la vida. Para equilibrar su presupuesto, los jóvenes de ambos sexos buscaron empleo y las mujeres salieron de sus hogares para trabajar en talleres y fábricas. La singular combinación de educación y trabajo, por disímiles que estos elementos parezcan, puso a la mujer en el debate público. Sus méritos como madre y esposa se agregaron a sus derechos legítimos según la ley y a su papel de objeto y sujeto de las políticas públicas. El significado de la condición de mujer, al mezclarse con asuntos de Estado, adquirió una nueva dimensión. Después de 1895, cuando las mujeres obreras publicaron sus primeros periódicos, señalaron que las puertas de la autoexpresión se abrían para todas.
La búsqueda de soluciones a los problemas que provocaba el reconocimiento de las nuevas dimensiones políticas, económicas y sociales de la mujer se vio apoyada por una ideología nueva que, ya en 1880, se iba formando en Europa: el feminismo. Cuando lo conocieron las mentes despiertas que habitaban algunas de las zonas urbanas de crecimiento más rápido de América Latina, los orígenes y el significado del movimiento no estaban del todo claros. Las capitales de Argentina, Uruguay y Chile, los países del cono sur de América del Sur, presenciaron un desarrollo notable de las ideas feministas. La memoria histórica no ha hecho justicia a aquellos hombres y mujeres que escribieron y hablaron en pro de reconocer la mayoría de edad de la mujer. Las mujeres rara vez dejaron documentos personales, menos aún archivos organizados, que hubieran ayudado a conservar el recuerdo de su obra. A muy pocas de las numerosas y abnegadas dirigentas laborales, periodistas, educadoras, médicas, escritoras y abogadas se les ha cedido algún espacio en las historias nacionales. Algunos de los hombres se han ganado un lugar en la historia por otros motivos, rara vez por su dedicación a las causas femeninas.
La selectividad perenne de la memoria histórica dificulta mucho la reconstrucción de la obra inicial de los feministas, hombres y mujeres. Para escribir su historia es preciso rastrear y reunir materiales tan diversos como efímeros: por ejemplo, panfletos en defensa de proyectos de ley ante el Congreso, libros escritos con entusiasmo, pero descuidados por los estudiosos, discursos fogosos ante el Poder Legislativo, olvidados hace mucho tiempo, y cientos de artículos en diarios y revistas. Al último, no obstante, nos vemos recompensados con una visión nueva y fresca de la sociedad y de las relaciones entre hombres y mujeres, perspectivas nuevas en la interpretación de la historia social, y un cuadro más equitativo de la función que cumplió la mujer en la sociedad de principios del siglo XX.
Argentina, Chile y Uruguay compartían diversas características políticas y económicas importantes, además de la proximidad geográfica. A fines de los años de 1870, los estadistas de toda una generación, nutridos con el pensamiento positivista y liberal, procuraron acercar sus países a la línea central del "progreso" europeo y estadounidense. Los planes de reforma económica y social que ellos promovían contemplaban la industrialización y el desarrollo económico como catalizadores para cambiar el orden antiguo. Habría que reformar el sistema educacional con el fin de alcanzar la eficiencia necesaria para sostener el crecimiento económico y desarrollar una clase urbana progresista que se haría cargo de los destinos nacionales. La inmigración europea aumentaría la escasa dotación de mano de obra disponible para realizar estos planes de tan largo alcance y ayudar a crear una nueva ética del trabajo.
La índole de la política, entre 1890 y 1920, favoreció las transformaciones económicas y sociales bajo cuyo alero prosperó el feminismo. Los nuevos profesionales urbanos cuestionaban el patrón político heredado del primer período republicano: tarea nada fácil. En Chile y Argentina, personalidades fuertes y elites sociales dominaron la escena hasta el segundo decenio del siglo XX. Uruguay padeció el caudillismo hasta la elección de José Batlle y Ordóñez, en 1904. Pese a encuentros peligrosos con el desorden político, entre 1912 y 192:5 las reformas constitucionales, junto con una clase obrera y una clase media urbana cada vez más perentorias, determinaron cambios importantes en el sistema representativo. Los hombres dedicados a la reforma social y a la democratización impusieron a los tradicionalistas ciertos cambios claves que derivaron en una apertura, lenta, pero constante, del espacio político y del reconocimiento social, en favor de ciertos grupos que en los primeros años del siglo XX se hallaban al margen de la construcción nacional. Uno de esos grupos lo formaban las mujeres, debido a las limitaciones que las costumbres sociales y el sistema jurídico hacían pesar sobre ellas.
El lapso entre 1890 y 1940 se mostró receptivo para asuntos relativos a la mujer y a las relaciones entre hombres y mujeres dentro de la familia. Las elites sociales y políticas de comienzos del siglo XX cedieron el paso a regímenes más orientados al pueblo, cuando no populistas, en los cuales las necesidades de los obreros, campesinos, estudiantes y mujeres se expresaban, se les prestaba oído y, hasta cierto punto, se tomaban en cuenta. La ampliación de la base política se apoyó en ideologías contrarias a la exclusión política de ciertos grupos que eran cada vez más indispensables para realizar las políticas desarrollistas que habían formulado los hombres del decenio de 1890. Si bien los estadistas de la época reconocieron los aportes de muchos, su voluntad de apoyar los cambios sociales radicales era limitada.
Entre 1890 y 1925, los partidos políticos de centro y de izquierda seguían una pauta clave: la administración de justicia, la educación, la legislación, la salud nacional y la defensa nacional debían estaren manos del Estado. Los grupos encargados de proponer reformas y cambios en aquellos ámbitos se componían de reformadores liberales, higienistas, socialistas y feministas. Los reformadores liberales apoyaban los cambios políticos y socioeconómicos con el fin de demoler ciertas estructuras tradicionales sin caer en el desorden social. Los socialistas habían de convencer a los reformadores liberales que el bienestar de la clase obrera era indispensable para la prosperidad de la nación. Los higienistas, tecnócratas de salud pública, procuraban convencer al Ejecutivo y a los legisladores de que la salud era un elemento clave del progreso y el cambio, Las naciones no podrían avanzar si la enfermedad debilitaba a la población o si ésta laboraba y vivía en condiciones insalubres. Los feministas procuraban convencer. a los hombres de que las mujeres eran ciudadanas que con su trabajo e inteligencia colaborarían en la tarea de construir una nación mejor. No se las debía marginar de ningún plan de cambio y progreso. La dificultad estaba en cómo emular los modelos europeos.
La historia del feminismo es intelectual y social. Para trazar su recorrido hay que analizar ideas y actividades que formaban parte de un proceso de cambio social, no un mero reclamo de derechos precisos. El feminismo significaba adquirir conciencia personal de lo que quería decir ser mujer y percibir las necesidades idiosincráticas de la mujer, pues ambas cosas eran indispensables para determinar cuáles políticas promoverían un cambio en la condición de las mujeres y en las relaciones de los sexos. Al iniciarse el siglo XX, la definición y realización de la mayoría de los cambios en la estructura social y política fue obra de hombres. El feminismo era la actitud que adoptaban las mujeres y los varones simpatizantes para dar pertinencia al sexo en el análisis de políticas que afectaban a la familia, la escuela y el lugar de trabajo, los tres campos en que la mujer tenía presencia reconocida. Semejante transformación necesitaba liderazgo, un conjunto de hombres y mujeres que compartiesen los nuevos conceptos de relaciones y funciones de los sexos. También exigía comprender los cambios al interior del grupo que ejercía el poder real y la disposición a aceptados. Iniciado el debate y la tarea de persuasión, la idea de reformular la condición y las funciones de la mujer fue ganando credibilidad y viabilidad.
Se vio que había varias necesidades fundamentales que resultaban esenciales para la participación femenina en el cambio social. Ellas eran el reconocimiento de la nueva función económica de la mujer, su personería jurídica plena dentro de la familia y su participación en el sistema político de su país. é Sería el feminismo una ideología capaz de convencer a los hombres de ceder a las mujeres la libertad y los derechos que necesitaban para ayudar a establecer el nuevo orden que soñaban los reformadores sociales del cono sur? La respuesta, a comienzos del siglo XX, no aparecía ni firme ni clara, pero la falta de certeza respecto del resultado final no impidió que muchos hombres y mujeres de la época exploraran las bases del feminismo y apoyaran aquel aspecto que les fuera más atrayente dentro de sus amplias perspectivas.
La tarea de analizar los numerosos aspectos que interesaron a las feministas en épocas de expansión económica y demográfica, diversificación política y desasosiego social, en lugares distantes de sus orígenes intelectuales, exige la búsqueda sin ambages de un punto de vista fiel a los intereses de la mujer. Dicha visión revela un tejido complejo de asuntos sobrepuestos, unido estrechamente al eje de las funciones y relaciones de los sexos, y girando en torno a él. No existe una fórmula única que desteja sus complejidades, porque el concepto de feminismo variaba entre quienes decían practicado o simpatizar con él, adquiriendo con el tiempo ciertos matices importantes. El capítulo: El feminismo en el cono sur: definiciones y objetivos inicia el estudio del significado del feminismo, a sabiendas de que el territorio exige mayor exploración. Seguir la evolución del significado del feminismo involucra reconocer que los feministas recorrieron diversas etapas de reinterpretación del concepto y su adaptación a las circunstancias políticas y sociales de las naciones en estudio. No existía un feminismo único, sino una diversidad de respuestas y orientaciones femeninas ante los problemas que aquejaban a la mujer en los distintos estratos sociales.
En el cono sur, los dos matices importantes del feminismo, el socialista y el liberal, se desarrollaron simultáneamente, aunque con distintos grados de intensidad y niveles de madurez. Se hicieron concesiones recíprocas para limar las diferencias y evitar el enfrentamiento abierto. La clase, por ejemplo, que era el único elemento dotado del potencial para abrir una brecha entre mujeres de tendencias políticas diferentes, con frecuencia se pasaba por alto. Las feministas encontraron motivos de unión comunes en el resarcimiento de su subordinación legal frente a los hombres, en especial dentro de la familia, en la justicia de reconocer la capacidad de la mujer de satisfacer todas las exigencias cívicas y económicas que les impusiera la vida o el Estado, y en la protección que en su estimación la sociedad debía a la maternidad. La influencia anarquista, potencialmente destructora en este cuadro de unidad femenina, quedó desbaratada con la persecución continua de sus defensores. Otro posible motivo de conflicto, el distingo entre liberación personal y liberación de sexo, también se soslayó con el surgimiento de un tipo especial de feminismo. Conocido como "feminismo compensatorio", combinaba la igualdad legal con el hombre y la protección de la mujer a causa de su sexo y las funciones precisas de éste.
Las desigualdades que las feministas de comienzos del siglo XX destacaban en su programa eran técnicas y jurídicas: los impedimentos que las privaban de ciertos derechos que los varones tenían dentro y fuera de la familia. Al mismo tiempo, no querían perder ciertas cualidades que estimaban esenciales para la mujer, ni los privilegios que traían aparejados. Privadas durante largo tiempo de capacidad intelectual y libertad de acción personal, las feministas querían afirmar su derecho a que se estimara que valían lo mismo que los hombres, pero no que eran iguales a los hombres. No veían ninguna oposición entre la igualdad en un aspecto y la protección en otro. Se habían criado en culturas que conservaban una larga tradición de reverencia por la maternidad y, sabiendo que la maternidad otorga a las mujeres cierto grado de autoridad, defendían su territorio de mujeres y madres. Al redefinir la maternidad como función social, "modernizaron" su papel de acuerdo con una situación política nueva, sin alterar ciertos aspectos del fondo tradicional de la maternidad.
Las primeras conceptualizaciones del feminismo se tiñeron de un fuerte compromiso con la reforma social, en cuanto se refería a las necesidades de la mujer. Que dichas necesidades sufrían el olvido o la negligencia de los hombres que ejercían la autoridad era obvio para la mujer obrera y, además, para las primeras profesionales que escudriñaban las leyes o visitaban conventillos o talleres que explotaban la mano de obra femenina. La preocupación feminista por los problemas que asediaban a la mujer obrera, y en particular a la madre obrera, mantuvo su importancia central durante todo el período en estudio. El análisis de cómo la participación creciente de la mujer en el mercado laboral contribuyó al cambio social y cómo adquirió importancia para las feministas ocupa el capítulo: Mano de obra y feminismo: fundamentos del cambio. Puesto que es escaso lo que se ha escrito sobre la mujer en la fuerza laboral a principios del siglo XX, era imprescindible reunir informaciones relativas a su extensión y naturaleza. ¿Tenía el trabajo femenino suficiente importancia para la familia y la nación como para merecer atención social y jurídica? é Tenían razón los feministas cuando sostenían que el trabajo validaba las pretensiones femeninas a ejercer otros derechos? Los resultados de la búsqueda de estadísticas y del intento de reconstruir el perfil de la mujer obrera urbana fueron diversos. Hay bases de comparación hasta los primeros años de 1920, pero después el cuadro se torna más difícil de reconstruir, a medida que los datos de los ministerios del trabajo y de los censos nacionales disminuyen rápidamente. Con todo, los datos disponibles señalan que la cantidad de mujeres que cumplían labores pagadas fuera y dentro del hogar era suficiente para respaldar las afirmaciones laborales y feministas en el sentido de que el trabajo femenino había adquirido la importancia económica y política suficiente para suscitar la atención del Estado. La tarea de conciliar trabajo con hogar y maternidad se convirtió en el hilo común que juntaba a la izquierda política, las feministas y los reformadores sociales liberales. Su respuesta fue un conjunto de proyectos de leyes protectoras y de medidas estatales de asistencia, algunos de los cuales, con los años, se hicieron realidad. Aun, cuando fueron muchas las partes interesadas que se opusieron a dichas leyes, el debate sobre aceptadas o no obligó a colocar el trabajo femenino en los programas de todos los grupos ideológicos después de 1940.
Las mujeres asalariadas comprendían menores de edad, mujeres solteras y madres, lo que introducía la competencia por los salarios, fuente de preocupación para los obreros varones y de un nuevo conjunto de problemas sociales. También ofrecían un reto a las leyes que ponían el salario de la mujer bajo el control de su marido. El reestudio del control legal de las ganancias de la mujer dio lugar a una re evaluación de los derechos civiles de las mujeres casadas. Además, las mujeres obreras estaban dispuestas a entrar en organizaciones laborales católicas, socialistas y anarquistas. Si bien las mujeres muy rara vez ejercieron el liderazgo en el movimiento laboral, ya en 1940 se habían convertido en un grupo laboral identificable, con demandas legítimas de leyes y políticas públicas. La necesidad de regular las condiciones y el horario de trabajo fue objeto de exploración y oportunismo en varios partidos políticos. En su calidad de parte de una familia y de madre, la mujer obrera también necesitaba atención de salud pre y posnatal, la que se amplió, luego, a todas las mujeres, cuando la salud materno-infantil se convirtió en preocupación nacional.
Ya a mediados del decenio de 1930, a las iniciativas de "vender" el trabajo femenino se opusieron iniciativas para restringirlo y el deseo persistente de muchos hombres, independientemente de la clase, de sacar a las mujeres de la fuerza laboral después del matrimonio. La ambivalencia respecto del trabajo femenino se nutría en las actitudes culturales profundamente arraigadas que definían el hogar como el espacio preferido de la mujer y veía en la calle y el trabajo externo indicios de clase baja. A lo anterior debemos agregar nuevas inquietudes en el sentido de que el trabajo en fábricas podría erosionar la moral y la salud de las mujeres y, en última instancia, ofrecer una amenaza a la familia ya la nación al causar una disminución de la fecundidad. En conjunto, la aparición de la mujer en espacios donde hasta entonces había dominado el hombre creó conflictos que exigieron la modificación, no ya de las leyes, sino de conductas y actitudes.
En su búsqueda de apoyo público, algunas feministas de clase media procuraron mejorar la imagen de la mujer obrera como una persona económicamente independiente, capaz, industriosa, que era un orgullo para la nación, a medida que se adaptaba a la modernidad. La imagen de independencia era indispensable para apoyar reformas al Código Civil y obtener la ciudadanía plena para todas las mujeres. La situación que se desprende de los datos laborales que aparecen en el capítulo: Mano de obra y feminismo: fundamentos del cambio desmiente esta visión optimista y explica por qué las opiniones relativas al trabajo femenino permanecieron divididas.
La maternidad fue otro ingrediente relevante en el montaje de una ideología especial. Las feministas del cono sur la acogieron de todo corazón como el más elevado símbolo de la condición de mujer. Los derechos de las mujeres como personas eran importantes, pero ellas nunca perdieron de vista el hecho de que las mujeres, en su mayoría, se convertían en madres y que la maternidad causaba algunos de los problemas más graves que todas encaraban. Las fatigas y los sacrificios de la madre obrera eran sólo una cara de la medalla. La maternidad exigía respeto en su calidad de servicio práctico para la nación entera. Los asuntos personales adquirían mayor importancia y significado cuando se los elevaba a la categoría de intereses nacionales. Así se introdujo el papel de la maternidad guiada por la educación, una iniciativa consciente de avanzar más allá de las funciones naturales de la maternidad para proyectar la importancia de la mujer en la tarea de criar generaciones nuevas. Educación y maternidad se conciliaron mediante la puericultura, que es el tema del capítulo: Puericultura, salud pública y maternidad.
Ningún estudio del feminismo en su contexto social puede desentenderse de la atención especial que los reformadores sociales del siglo XX prestaron al "binomio madre-hijo". Mucho antes de que el sufragio concitara su atención, las primeras feministas pugnaban por dirigir sus energías propias y las de otras mujeres hacia el mejoramiento de la salud materno-infantil. Entre los problemas sociales, el más afín a la mentalidad particular de la mujer era el cuidado de los hijos. Las tasas alarmantes de mortalidad infantil exigían políticas públicas mejor elaboradas. Las cifras obtenidas de datos contemporáneos son imprescindibles para comprender las dimensiones del problema y por qué las feministas hicieron del cuidado infantil parte de su misión.
Las campañas en pro del cuidado infantil tenían por objetivo dotar a toda mujer de las herramientas para emprender a conciencia sus tareas maternas, pero la meta era influir en las políticas de salud y otorgar a la mujer parte de la responsabilidad que encerraba su elaboración y realización. El Primer Congreso Femenino Internacional, de 1910, y los diversos congresos sobre la infancia que se celebraron antes de 1930, definieron a la mujer como sujeto y objeto de las políticas de salud. En cuanto objetos, las mujeres ganaron más servicios en las ciudades capitales, pero ellas también comenzaron a suministrar atención de salud y atención social, luego de titularse en las primeras escuelas de enfermería y asistencia social. La presencia de mujeres en calidad de médicas, enfermeras y visitadoras sociales habla de un cambio social importante. Las nuevas carreras ampliaron el horizonte ocupacional de la mujer de clase media y brindaron a la de clase obrera la oportunidad de eludir el trabajo en la fábrica y ganar cierta movilidad social. Que la profesionalización del cuidado infantil no cambió la imagen de la mujer como criadora y cuidadora no inquietó a las feministas del cono sur. El cuidado infantil científico era un camino para salir de los consabidos y desgastados estereotipos femeninos que regían en los primeros años del siglo XX. Más importante aún, el cuidado de mujeres por otras mujeres era el supremo ideal feminista que todas perseguían sin tregua.
Frente a los problemas de las madres y niños obreros, las feministas se dieron a reestudiar las relaciones de los sexos en su base: las usanzas tradicionales que habían legado la ley y la costumbre. Varias de las primeras feministas tomaron de los anarquistas y librepensadores una preocupación por el doble criterio con que se juzgaba la conducta sexual de hombres y mujeres. El análisis de lo que era natural y lo que era una construcción social, en materias de sexualidad, y sus distintas consecuencias para hombres y mujeres eran temas que no dejaban de incomodar a algunas que se decían feministas. En esto, como en el análisis de otros temas, hubo una auto censura que delata las costumbres de la época. Pero el debate sobre madres solteras, ilegitimidad, elevadas tasas de mortalidad infantil y prostitución encerraba una acusación implícita contra las leyes y costumbres que declaraban culpable a la mujer y absolvían al hombre de toda responsabilidad.
En los capítulos: Puericultura, salud pública y maternidad y Feminismo y sexualidad: una relación incómoda, exploro diversos aspectos de la sexualidad humana que inspiraron agitados debates públicos en los años veinte y treinta, algunos de ellos dentro de la búsqueda de la igualdad de los sexos entre los feministas. El efecto emocional más intenso surgió del doble criterio moral, que cargaba a las mujeres con el peso del honor sexual y castigaba a aquéllas que lo infringían, privándolas, a ellas y a sus hijos, de sus derechos. El análisis del doble criterio condujo a que un problema como la ilegitimidad se viera no sólo como asunto personal sino como portador de consecuencias sociales importantes que amenazaban la fortaleza de la familia y perpetuaban valores éticos injustos. Desde el punto de vista jurídico, la ilegitimidad planteaba interrogantes acerca de los derechos de las madres solteras y sus hijos. Las leyes que reglamentaban esta situación eran profundamente discriminatorias y limitaban tanto las perspectivas de los hijos nacidos fuera del matrimonio como las oportunidades al alcance de la madre soltera para ejercer sus derechos contra el padre presunto. Las feministas querían erradicar las diferencias jurídicas entre los hijos. Éste era un hueso duro de roer. Al bregar por la supresión de los estigmas sociales, las feministas se toparon con un dilema: toda ley que otorgara a la mujer la igualdad dentro del matrimonio reforzaba su posición como madre y enfrentaba a la mujer casada legítima con la que no lo era.
Otros aspectos complejos relativos a la sexualidad humana, con efectos sobre las relaciones de los sexos fueron objeto de examen en los años de 1920 y 1930. La educación sexual salió de la oscuridad. Las autoridades de salud pública la estimaban una cuestión médica y las feministas, una cuestión de ética, y denunciaban la importancia que se daba a los aspectos biológicos de las relaciones sexuales y no a sus consecuencias sociales. El debate sobre las condiciones para alcanzar el control de la conducta sexual pasó a otros ámbitos que interesaban a ambos sexos y avanzó más allá de la experiencia personal a cuestiones jurídicas y sanitarias, salpicadas de principios religiosos. Uno de los temas más controvertidos que se debatieron en los años de 1930 fue la elevada tasa de abortos, problema que iba a la par con la elevada mortalidad infantil y planteaba interrogantes morales y sanitarias muy difíciles. Si la maternidad tenía tanta importancia como experiencia personal, como forma de ganar autoridad en el seno de la familia y como medio de ganar poder en el ruedo público, é cómo explicar la realidad médica de innumerables abortos? é Qué motivos llevaban a las mujeres a dar ese paso? En esa situación había una buena dosis de ambivalencia ética y de hipocresía social. Las feministas más avanzadas comprendían que la miseria podía obligar a una mujer, casada o soltera, a recurrir a un aborto ilegal y peligroso para aliviar la carga económica de los hijos no deseados. Por otra parte, el doble criterio moral abrumaba a la mujer bajo una inmensa presión social. La casada estaba atrapada en la sexualidad de su marido sin poder eludir los embarazos no deseados. La soltera solía recurrir al aborto para proteger su honra, pues no le quedaban más alternativas que la de permanecer anónima al registrar a sus hijos o bien de asumir la plena responsabilidad jurídica y económica por ellos. La opción no tenía nada que ver con los sentimientos maternales, era una cuestión económica y de vergüenza social.
Si el aborto estaba generalizado, a pesar de su ilegalidad, ése podría dar a la mujer la opción de controlar su vida reproductiva? Pocos, incluso la mayoría de los feministas, estaban preparados para esta disyuntiva. En Chile y en Uruguay, las profesiones médica y jurídica llevaron a cabo un debate abierto, capítulo poco conocido de la historia social y de la mujer, y se jugaron por la protección de la maternidad y por el cuidado infantil. Ese resultado significó la re afirmación de las costumbres sociales tradicionales. Independientemente del grado en que las feministas comprendían el dilema de la mujer, también optaron por proteger la maternidad. Esto no causa sorpresa, pero sí refleja el mensaje feminista acerca de la ética sexual. El guión feminista de la sexualidad daba a la mujer el papel de fijar las normas y pedir al hombre que mejorara su comportamiento para ponerse a su altura. Este enfoque trajo a la palestra muchos males sociales que afectaban a la nación, pero no cambió mayormente la conducta sexual de hombres y mujeres.
El feminismo también acudió a una cita furtiva con la eugenesia como herramienta de reforma sexual y social. La eugenesia, tal como se la entendía y promovía en el cono sur, se concentraba en programas de salud pública dirigidos a combatir enfermedades que debilitaban a buena parte de la población. Así, numerosos feministas de ambos sexos apoyaban las políticas eugenésicas, porque prometían mejorar la salud de las generaciones futuras, mediante la atención de madres e hijos, la eliminación de las enfermedades de transmisión sexual y la esperanza de que los certificados prenupciales detectarían dichas enfermedades antes del matrimonio. Era dificil hacer caso omiso de promesa tan atrayente y muchas médicas de renombre, feministas o no, que abogaban por programas estatales de salud materno-infantil, también apoyaron las políticas estatales que prometían cambiar la conducta sexual masculina. Todo ello formaba parte de un amplio cambio en las relaciones de los sexos.
El análisis de la eugenesia como política no determinó ninguna ventaja para el feminismo, porque los eugenistas veían a hombres y mujeres como procreadores y las relaciones sexuales, en gran medida, como asunto de salud pública que había que vigilar. El debate acerca de los certificados prenupciales obligatorios afectó a las mujeres por cuanto puso en pie el asunto de la responsabilidad moral y sexual de los hombres en la reproducción, tema que hubiera satisfecho las aspiraciones intelectuales de ciertas feministas radicales y anarquistas de principios del siglo XX. Pero la sexualidad masculina se analizó con fines demográficos y sanitarios, en términos estrictamente médicos. Este enfoque privaba al análisis del profundo sentido de respeto por su sexo que las feministas siempre habían exigido. A los hombres se les hizo responsables de los exámenes prenupciales porque se reconocía que su sexualidad constituía el elemento "activo" en la sociedad conyugal. A las mujeres no se las examinaba porque su sexualidad era pasiva y para ser aceptable debía mantenerse privada y dentro del matrimonio. Así, el papel de los sexos no cambió.
Las relaciones de hombres y mujeres tenían otros aspectos que vinculaban lo público y lo privado dentro de la familia. El debate sobre los derechos de la mujer casada y la reforma del Código Civil comprendía el tema fundamental de la jerarquía de los sexos en la familia y era tema de privilegio entre feministas y reformadores sociales. La subordinación legal de la mujer, en cuanto esposa y madre, y la indisolubilidad del matrimonio ofrecieron al liberalismo decimonónico un blanco para ensayar sus ideas acerca de la igualdad de los sexos y la necesidad de cortar los lazos entre la Iglesia y el Estado. Las propuestas de reformar los códigos civiles, con miras a devolver a las mujeres los derechos que habían perdido al casarse, y la disolución del propio vínculo matrimonial eran graves amenazas contra la autoridad del paterfamilias y su patria potestad. Este importante capítulo de la historia del feminismo y la reforma social se analiza en los capítulos: Reforma de los códigos civiles: la búsqueda de la igualdad ante la ley y El divorcio: triunfo y agonía.
Cuando los liberales estudiaron por primera vez estos puntos, apenas veinte años después de promulgados los códigos civiles, no presentaron un ataque frontal contra el derecho de familia, sino que siguieron un camino menos amenazante, al parecer, cuestionando la autoridad del hombre en la economía política del matrimonio. Había que definir la igualdad de los sexos en el ejercicio del doble papel que se suponía correspondía a la vida de una mujer: esposa y madre. Pero puesto que las esposas y madres también pasaban a convertirse en asalariadas, su independencia económica entraba a su vez en juego. Para los abogados que prirnero estudiaron la igualdad de la mujer casada, se trataba de un derecho legal definido con justicia, que servía para corregir una situación económica ya rápidamente sobrepasada, mientras debilitaba el control masculino del hogar, en apariencia inexpugnable.
En el fondo de los extensos análisis de la ley familiar había dos asuntos: si el hogar debía tener una cabeza varonil incontestable que controlara los bienes y la conducta de la mujer y los hijos, o si se debía dejar que se perpetuara la hipocresía que encerraba el culto social de la maternidad y la realidad de que las madres carecían de toda jurisdicción sobre sus propios hijos. Socialistas y feministas presionaron para conseguir una parte de la patria potestad, asunto mucho más urgente que los derechos políticos. Las reformas del Código Civil en Argentina, en 1926, y en Chile, en 1934, representan pasos "evolucionarios" en el cambio social. Las concesiones que se obtuvieron no aseguraron la plena igualdad de los sexos dentro del matrimonio. El tema se debatió hasta las heces en Uruguay, donde el Código Civil no se reformó hasta 1946, con recalcitrante desprecio por las propuestas de Baltasar Brum, el más destacado patrocinador de los derechos civiles de la mujer, cuyo plan de reforma se contaba entre los más sensibles a las reclamaciones femeninas.
Otro ataque al Derecho Familiar, las costumbres sociales tradicionales y los papeles respectivos de los sexos fue el debate sobre el divorcio. En apariencia, se trataba de una cuestión política entre Iglesia y Estado, pero a la vez revelaba matices importantes en la interpretación del papel de los sexos en los tres países en estudio. Los apasionados debates parlamentarios, los análisis jurídicos y los escritos de sus proponentes y opositores ofrecen una rica fuente de exploración respecto de las visiones, tanto tradicionales como reformistas, de la feminidad y la masculinidad. El divorcio procuraba la igualdad de ambos sexos, no en su sumisión a la indisolubilidad del matrimonio tal como los tradicionalistas y la Iglesia la .veían, sino en sus opciones de ganar la libertad personal respecto de una relación conyugal no deseada. La posición tradicional establecía que la estabilidad de la familia garantizaba el orden social y que el sacrificio de la libertad personal salvaba las instituciones que conservaban el orden: Iglesia y familia. Argentina y Chile nunca aceptaron el divorcio durante el lapso que se estudia aquí, señal de su acendrada actitud conservadora en materia de Derecho de Familia. En Uruguay, en cambio, el Partido Colorado impuso la reforma desde arriba, de acuerdo con su propio dictado ideológico de dar a la mujer aquella libertad que sólo los feministas radicales y los anarquistas apoyaron a comienzos del siglo XX. La ley de divorcio uruguaya prestó credibilidad a la idea de separar la Iglesia y el Estado en el terreno del Derecho de Familia. En cuanto a las relaciones entre los sexos, establecía un nuevo concepto: la mujer podría disponer de una opción que el hombre no tendría. El divorcio por la sola voluntad.de la mujer era una idea revolucionaria para su época, posible solamente en un Estado pequeño que experimentaba con formas nuevas de cambio social y político. Como modelo, tuvo escasos seguidores. Chile ha concedido a hombres y mujeres la libertad cabal del divorcio sólo en el siglo XXI.
La participación de la mujer en política mediante el sufragio se considera la piedra de tope del feminismo y el cambio social, aunque se trate de una opinión debatible. En el cono sur el sufragio surgió como tema de debate en el segundo decenio del siglo. El sufragio universal masculino, vigente en los tres países al comienzo de los años veinte, comenzó a modificar la fisonomía de la masa electoral y proporcionó a los feministas, hombres y mujeres, la base que les hacía falta para alegar en favor de otorgarlo a la mujer. Hay que conocer en todos sus detalles la movilización política en favor del sufragio si hemos de apreciar los esfuerzos conscientes que hicieron las mujeres para llegar a la comprensión cabal de sus metas y conseguir el apoyo necesario para alcanzarlas. En los capítulos: Política femenina y sufragio en Argentina, Política femenina y sufragio en Chile y Política femenina y sufragio en Uruguay, se pasa revista a las diversas actividades políticas que emprendieron las mujeres de cada uno de los tres países. Aunque en el capítulo El feminismo en el cono sur: definiciones y objetivos, trazo un panorama de los trasfondos ideológicos que guiaron a las feministas en su entrada en política, estos capítulos posteriores ofrecen informaciones más precisas acerca de la labor de ciertas mujeres y organizaciones femeninas, las campañas para vencer la timidez de las mujeres y la lucha interna entre las distintas interpretaciones del activismo político feminista.
Ninguna organización habló en representación exclusiva de las mujeres ni antes ni después de series concedido el derecho a voto. En los años veinte y treinta surgieron numerosas sociedades que apelaban a una u otra de las interpretaciones feministas o de sus intereses sociales y, aun, cuando la diversidad de los grupos confirmaba la madurez de sus participantes, también diluía el efecto de sus iniciativas. Las reformas políticas por las cuales luchó un pequeño grupo de mujeres no condujeron al apoyo mayoritario de hombres y mujeres respecto del papel de la mujer en este ámbito. La retórica de la pureza política y la postura "apolítica" que ostentaban los "partidos" de mujeres obstaculizaron su asimilación a los partidos masculinos tradicionales. Los resultados de la campaña por el sufragio fueron diversos. Cuando las mujeres votaron, muy pocas fueron elegidas y aquéllas que lograron acceder a puestos públicos eran en su mayoría centristas o conservadoras católicas. La índole de las transacciones políticas no cambió mayormente. Si bien la iniciación de la mujer en la vida política del cono sur puede parecer mezquina en cuanto a cifras electorales, ella cambió a mujeres y hombres en muchos aspectos sutiles. Las mujeres feministas ganaron confianza en sí al definirse como grupo de presión participante. Su interpretación del significado político de las reformas sociales tenía importancia para ellas, lo mismo que la dirección de sus organizaciones propias y la planificación de campañas para popularizar su mensaje.
En un estudio de sufragio y movilización social, el sociólogo argentino Darío Cantón postula que el otorgamiento del derecho a voto depende de una capacidad comprobada para la participación política, en general tras luchas largas y enconadas", Las mujeres del cono sur demostraron que tenían esa capacidad, por intermedio de sus organizaciones feministas; pero renunciaron a la violencia o al enfrentamiento, y prefirieron recurrir a la persuasión. El movimiento sufragista del cono sur tuvo aspectos culturales propios que no calzan con ningún modelo que se base en la necesidad de luchar por resultados políticos. En otros análisis recientes de las actividades políticas femeninas, escritos por EIsa Chaney, Evelyn Steven y Jane Jaquette, se profundiza en los valores culturales y se desarrolla los conceptos de la supermadre y del marianismo para explicar la proyección en política del hogar, la maternidad y la sensibilidad especial de la mujer+Aunque sus interpretaciones se basan en hechos más contemporáneos, calzan con la génesis de las actividades políticas femeninas desde mediados de los años diez. El aprovechamiento amplio de una ideología de misión social, fundada en las funciones y atribuciones de ambos sexos, ayudó a las feministas de comienzos del siglo XX cuando procuraron elevarse por su propio esfuerzo y defender su participación en la vida pública. Para hacerse un lugar en política, usaron el atractivo de unas imágenes culturales sin peligro. Para ganar aceptación social, algunas feministas mostraron una determinación casi religiosa en proyectar el papel de la mujer como redentora social. Puesto que la tipificación de sexos puede resultar un arma de doble filo, en política se reforzó el estereotipo de la imagen biológica de la mujer, la que la limitaba a ciertos campos precisos de la vida pública.
En las páginas siguientes, mi propósito principal es el de destacar el mensaje que hallé en todas las actividades y escritos femeninos: el ascenso de la conciencia propia de la mujer en cuanto participante en el Estado. En reacción ante las cambiantes condiciones sociales y económicas, el feminismo mostró una diversidad de matices y profundidades, pero logró alcanzar resultados tangibles en la redacción y corrección de las leyes civiles, la interpretación de políticas sociales nuevas y la aceptación de la mujer como ente político. Es incuestionable que no todas las mujeres participaron activamente. Como los hombres, un grupo pequeño abrió el camino. Pero este grupo franqueó las barreras de clase. Comenzando con las etapas iniciales de conciencia propia, las mujeres obreras, además de las profesionales, ayudaron a elaborar un conjunto de aspiraciones declaradas que expresaban su fe en la propia capacidad de cambiar sus vidas. El feminismo no fue feudo exclusivo de la clase media, aunque se concentró mayormente en el centro económico y político. Importa también recordar que en este proceso tomaron parte hombres y no sólo mujeres, porque se encuadraba dentro de la familia y se concebía en términos de la complementación entre los sexos. Las relaciones mutuas se examinaron a fondo, por primera vez, en estos países y, aunque en la práctica no cambiaron gran cosa, no habrían de perdurar en una complacencia indemne.
Abocarse a la historia del feminismo y del cambio social en tres países, en un espacio limitado, es una tarea intimidante que yo emprendí por admiración y respeto hacia las mujeres y los hombres que primero impugnaron la justicia de estimar que la mujer es una versión disminuida del hombre. En su mayoría nos participaron más en cuanto a sus pensamientos que a informaciones personales sobre ellos mismos. Por tanto, en justicia, presto la misma atención a la elaboración de conceptos, al intercambio de ideas, al debate entre tradición y modernización, a las estrategias de movilización y al significado de las actividades, que a los logros efectivos. El análisis de aquellos elementos históricos nos devuelve la realidad de quienes contribuyeron a conseguir que el sexo y la construcción del concepto de género fueran importantes para el Estado, para la ley y para ellos mismos.
NOTAS
1 Véase Anna Macías, Against Al! Odds: The Feminist Mooement in Mexico lo 1940; K Lynn Stoner, From the House lo the Streets: The Urban Woman’s Movement for Legal Reform, 1898-1940; June Hahner, Emancipating the Female Sex: The Struggle for Women’s Rigius in Brazil, 1859-1940; Francisca Miller, Latin American Women and the Seardi for Social fustice.
2 Néstor Tomás Auza, Periodismo y feminismo en la Argentina: 1830-1930; Bonnie Frederick, Wily Modesty, Argentine Women Writers, 1860-1940. Sobre una visión de la nueva historiografía, véase Dora Barrancos, comp., Historia y género.
3 Darío Cantón, Universal Su./frage as an Agent o/ Mobilizaiion.
4 Eisa Chaney, Supermadre: Women in Politics in La/in America; Evelyn P. Steven, "The Prospects for a Women’s Liberation Movement in Latin América", pp. 313- 321;Jane Jaquette, "Female Political Participation in Latin América".
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ÍNDICE
EL FEMINISMO EN EL CONO SUR: DEFINICIONES Y OBJETIVOS
Feminismo socialista Feminismo liberal
Primer Congreso Femenino Internacional y definición del feminismo liberal Feminismo: segunda fase
El papel de los sexos: feminidad y feminismo Feminismo de compensación
El feminismo como actividad política
El feminismo como reforma moral y social
MANO DE OBRA Y FEMINISMO: FUNDAMENTOS DEL CAMBIO
La mujer y sus cifras laborales
El trabajo femenino en Argentina: perfil estadístico Perfil ocupacional femenino en Uruguay
Perfil laboral femenino en Chile
Condiciones de trabajo
Salario y sexo
Trabajo industrial a domicilio
Protección y reforma por intermedio de la ley Regulación del trabajo industrial Regulación del trabajo a domicilio
El Código del Trabajo en Chile
Protección para las madres obreras
Leyes de protección. El problema del cumplimiento Racionaliracion del trabajo de la mujer: los pro y los contra
El trabajo como explotación de la mujer
Trabajo, salud y honra
El trabajo como independencia económica. Una realidad ambivalente
Fruto amargo: ataques al trabajo femenino
PUERlCULTURA, SALUD PÚBLICA Y MATERNIDAD
La mortalidad infantil como problema sanitario y social
El papel de la mujer en la promoción de la higiene social
Los congresos del Niño y el culto de la maternidad
Al servicio de la maternidad y de la niñez
Mandato legal para la protección del niño
FEMINISMO Y SEXUALIDAD: UNA RELACION INCÓMODA
Mujeres, feminismo y educación sexual
Anarquismo e izquierda en materia de sexualidad
Una sola moral para ambos sexos
Moral única y educación sexual: el debate
Opiniones femeninas sobre educación sexual
La ilegitimidad como causa feminista
Medición de la ilegitimidad
La ilegitimidad y el reconocimiento de la paternidad
Defensores del cambio: las relaciones entre los sexos y la ilegitimidad
EL CONTROL DE LA REPRODUCCIÓN:
ESCRUTINIO DE LAS RELACIONES ENTRE LOS SEXOS
Las mujeres opinan sobre la eugenesia
La eugenesia y la iniciativa de reforma de las leyes de matrimonio
Feminismo, reproducción y debate sobre el aborto
El aborto en Uruguay: un debate insólito
El debate sobre el aborto en Chile y Argentina
REFORMA DE LOS CÓDIGOS CIVILES:
LA BÚSQUEDA DE LA IGUALDAD ANTE LA LEY
Realidades en curso de cambio: reformas en estudio, 1880-1915
La mujer habla con voz propia
Permítase que la mujer sea igual al hombre ante la ley
La reforma de los códigos civiles, 1920-1946. Panoramas nacionales
Argentina
Chile
Uruguay
EL DIVORCIO: TRIUNFO Y AGONÍA
El debate de la indisolubilidad y la solución uruguaya
Debate en Chile y Argentina: una historia inconclusa
El divorcio en Argentina
Mujer y divorcio
Los sexos en el debate sobre el divorcio
El divorcio y la familia
POLÍTICA FEMENINA Y SUFRAGIO EN ARGENTINA
La izquierda organiza a la mujer
La visión anarquista
La cumbre de la campaña sufragista: 1979-1932
La ley de sufragio: desencanto y esperanzas dilatadas
POLÍTICA FEMENINA Y SUFRAGIO EN CHILE
Definición de un objetivo político: los primeros años
Definiciones políticas y movilización a comienzos de los años treinta
La Unión Femenina de Chile y Delia Ducoing
El voto municipal: a mitad del camino a la ciudadanía cabal
Política y agrupaciones: la derecha y el centro
Política y agrupaciones: el centro y la izquierda
El sufragio como praxis femenina
Agrupaciones femeninas y contragolpe masculino
La mujer y las elecciones de 1938
POLÍTICA FEMENINA Y SUFRAGIO EN URUGUAY
Feminismo: definición de las primeras posiciones
Consejo Nacional de Mujeres: en busca de un lugar para el feminismo
El decenio largo: problemas en el camino
El sufragio: "Se lo ha ganado legítimamente la mujer" Un partido femenino: esperanzas definidas y tronchadas ¿Fin de una época? Más allá del sufragio
EpÍLOGO
Índice onomástico
Índice de materias
Fuentes y bibliografía 491
Enlace al libro completo, pdf, en Memoria chilena, Biblioteca Nacional de Chile: http://www.memoriachilena.cl/archivos2/pdfs/MC0066089.pdf
Más bibliografía de género en línea en Memoria chilena, "Historia, Mujeres y Género en Chile": http://www.memoriachilena.cl/602/w3-article-3451.html#documentos
Otros artículos de la autora en este sitio
Los hombres de Díos. Aproximación a un estudio de la masculinidad en Nueva España
"De su puño y letra: epístolas conventuales", en M. Ramos Medina (coord.), El monacato femenino en el Imperio español. Memoria del III Congreso Internacional sobre monjas, beaterios, recogimientos y colegios. Centro de Estudios de Historia de México Condumex. México, 1995. Documento PDF
"Espiritualidad en el claustro novohispano del siglo XVIII". América colonial American Review, 1466-1802, Vol. 4, Nº 2, 1995, págs 155-180. Documento PDF
"Creating bonds respecting differences among feminists" , Latino(a) Research Review,5:`1 (Spring 2002), 37-50. Documento PDF
"Spanish American Women, 1790-1850: The Challenge or Remenbering",Hispanic Research Journal: Iberian and Latin American Studies, Vol. 7, Nº 1, 2006 , págs. 71-84 (ISSN 1468-2737). Documento PDF
"Cambiando actitudes sobre el rol de la mujer: experiencia de los países del Cono Sur a principios de siglo" en European Review of Latin American and Caribbean Studies 62, june 1997, págs. 71-92. Documento PDF
La Historia es un arma cargada de futuro
"El futuro está abierto. Es responsabilidad de los historiadores y de las historiadoras ayudar a que los sujetos de la historia construyan mundos futuros que garanticen una vida libre y pacífica, plena y creativa, a los hombres y mujeres de todas las razas y naciones".
Manifiesto de Historia a Debate en FAH. En la Web de Historia a Debate
"Necesitamos repensar la historia para analizar mejor el presente y plantearnos un nuevo futuro”
Fontana, Josep Fontana. La historia después del fin de la historia. Crítica: Barcelona, 1992 p. 142.
"Sería triste que tuviésemos que repetir la queja que Marc Bloch formulaba en nombre de los historiadores de su tiempo: ‘No nos hemos atrevido a ser en la plaza pública la voz que clama en el desierto… Hemos preferido encerrarnos en la quietud de nuestros talleres"
Josep Fontana. La historia de los hombres. Critica. Barcelona. 2001, p. 353.
Citas de Josep Fontana en Karen Alfaro Monsalve, "El grato acoso de la memoria reciente"
Con otras historiadoras, pienso que la historia es una vía para combatir la subordinación de las mujeres. La historia permite estudiar y explicar cómo se ha producido ésta y muestra las diferencias y particularidades de los diferentes procesos, al analizar épocas y contextos determinados.
Lola G. Luna "Sobre historia, género y política" en FEMPRESS ![]()
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10 de diciembre de 2006
Celebración por la muerte de un canalla: Pinochet o la de cualquier canalla
Obituario con HurrasMario BenedettiVamos a festejarlo
vengan todos
los inocentes
los damnificados
los que gritan de noche
los que sufren de día
los que sufren el cuerpo
los que alojan fantasmas
los que pisan descalzos
los que blasfeman y arden
los pobres congelados
los que quieren a alguien
los que nunca se olvidan
vamos a festejarlo
vengan todos
el crápula se ha muerto
se acabó el alma negra
el ladrón
el cochino
se acabó para siempre
hurra
que vengan todos
vamos a festejarlo
a no decir
la muerte
siempre lo borra todo
todo lo purifica cualquier día
la muerte
no borra nada
quedan
siempre las cicatrices
hurra
murió el cretino
vamos a festejarlo
a no llorar de vicio
que lloren sus iguales
y se traguen sus lágrimas
se acabó el monstruo prócer
se acabó para siempre
vamos a festejarlo
a no ponernos tibios
a no creer que éste
es un muerto cualquiera
vamos a festejarlo
a no volvernos flojos
a no olvidar que éste
es un muerto cualquiera
vamos a festejarlo
a no volvernos flojos
a no olvidar que éste
es un muerto de mierda.
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Pinochet.- Decenas de detenidos en Chile en las manifestaciones para festejar la muerte de Augusto Pinochet
Pinochet será enterrado mañana sin honores de Estado
1917-2007 Santa María de Iquique
Pablo Neruda Canto General (fragmentos)
Mr. North ha llegado de Londres. Es un magnate del nitrato.
Antes trabajó en la pampa, de jornalero, algún tiempo, pero se dio cuenta y se fue.
Ahora vuelve, envuelto en libras.
Trae dos caballitos árabes y una pequeña locomotora toda de oro.
Son regalos para el Presidente, un tal José Manuel Balmaceda.
«You are very clever, Mr. North.»
El Presidente regresó hace poco del desolado Norte salitroso, allí dijo:
«Esta tierra, esta riqueza será de Chile, esta materia blanca convertiré en escuelas, en caminos, en pan para mi pueblo.»
Rechazó los caballos, la maquinita de oro de Mr. North. Los alejó sin verlos hacia su dueño, el poderoso gringo.
Movió apenas la desdeñosa mano.
«Ahora, Mr. North, no puedo entregarle estas concesiones, no puedo amarrar a mi patria a los misterios de la City.»
Mr. North se instala en el Club.
Cien whiskies van para su mesa cien comidas para abogados,
para el Parlamento, champaña para los tradicionalistas.
Corren agentes hacia el Norte, las hebras van, vienen y vuelven.
50 Las suaves libras esterlinas tejen como arañas doradas
una tela inglesa, legítima,
para mi pueblo,
un traje sastre de sangre,
pólvora y miseria.
«You are very clever, Mr. North.»
(Fuente: BALMACEDA DE CHILE (1891) Publicado el 17-12-2007, Por Homero Altamirano)
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-- 1917-2007 Santa María de Iquique / Patrimonio cultural, Dirección de Bibliotecas, Archivos y Museos, Chile
-- Maria Antonia Salvador: desde Valladolid, España, a Santa María de Iquique en Chile. En El Norte de Castilla, diario de Valladolid. Publicado en red en el blog de Fernando Manero.
"A comienzos de los años setenta del siglo pasado el grupo chileno Quilapayún dio a conocer al mundo la versión musical de la Cantata de Santa María de Iquique, en la que narraba la masacre que tuvo lugar en la zona minera del Norte chileno en 1907. Su impacto fue grande en la juventud de la época, ya que permitió descubrir un suceso del que jamás se había hablado. Un suceso remoto en el espacio y en el tiempo, que de pronto quedaría asumido en ese momento como una tragedia cercana, otra más de las muchas que la humanidad sufriría a lo largo del siglo XX. Fue un acontecimiento clave en los albores de la nueva centuria, en el que se pusieron de manifiesto las contradicciones de las economías mineras emergentes, la agudización de los conflictos asociados a la explotación de los trabajadores que ello traía consigo y la importancia que tiene la evocación histórica de las luchas sociales para entender el mundo contemporáneo y los logros sustentados sobre ellas.
Ocurrió exactamente hoy hace cien años en la región chilena de Tarapacá y, más concretamente, en la ciudad de Iquique, el gran puerto desde el que se comercializaba hacia todo el mundo el mineral del salitre, fertilizante del que Chile abastecía cerca de los dos tercios de la producción mundial del entonces llamado “oro blanco”, lo que proporcionaba al país un recurso estratégico y de gran abundancia, obtenido de las tierras de Perú y Bolivia tras la guerra que los enfrentó con Chile entre 1879 y 1884. En un ambiente, pues, de extraordinaria prosperidad mercantil, estimulado además por la fuerte depreciación del peso chileno respecto a la libra esterlina, tiene lugar un incremento fortísimo del precio de los bienes básicos del que derivarán graves repercusiones sobre el poder adquisitivo de los sectores más humildes, acentuadas además por la extrema dureza y severidad de las condiciones de trabajo. Los testimonios recogidos de la época son, en efecto, reveladores de una situación que poco a poco se iría haciendo insostenible, a medida que las reclamaciones planteadas para mitigarla eran sistemáticamente desatendidas. De plano serían rechazadas, entre otras, la demanda de lograr un aumento del salario que paliase el fuerte deterioro sufrido tras la devaluación y la de percibirlos en dinero legal y no mediante bonos que eran canjeados por bienes en las tiendas de las empresas a precios superiores a los del mercado, la solicitud de protección frente a la altísima siniestralidad de un trabajo enormemente arriesgado e insalubre, que habría de ir ligada también a la mejora de las viviendas en un entorno especialmente inhóspito o la petición de crear escuelas que permitieran a los trabajadores salir del analfabetismo en el que la mayoría se encontraba.
Tras múltiples y fallidos intentos de negociación el primer brote de huelga estalla el 4 de Diciembre, cuando los trabajadores del ferrocarril que transporte el mineral desde las “oficinas” (yacimientos) al puerto deciden paralizarlo, abriendo así un proceso de tensión que se generaliza en muy pocos días para, como demostración de su fuerza, adoptar la decisión de desplazarse a pie hasta la ciudad de Iquique, a fin de plantear directamente sus reivindicaciones ante las sedes de las compañías nacionales y extranjeras que tenían intereses en la industria y comercialización del que internacionalmente sería conocido como el nitrato de Chile. La llegada a la ciudad el 15 de Diciembre de los primeros grupos de trabajadores del salitre se vería engrosada por los que provenían del interior – los pampinos - , gentes humildísimas como corresponde a quienes ejercían labores agrícolas o ganaderas en el desierto más árido del mundo. Se crea en muy poco tiempo una corriente de solidaridad que suscita temor y provoca una actitud de desconfianza, refractaria a cualquier negociación en aras de la defensa del principio del “prestigio moral” frente a la avalancha de los que “nada tenían que perder”. Alojados en la escuela Domingo Santa María, la catástrofe no tardará en producirse cuando, ante la insistencia en el mantenimiento de la protesta y el temor suscitado por la aglomeración creciente de los trabajadores y sus familias, se decidió por parte del general Silva Renard y con el consentimiento del Presidente Pedro Montt, proceder al ametrallamiento indiscriminado de la multitud, reforzado por el uso del fusil y los ataques a caballo. Nunca se supo la cifra de fallecidos. La censura de prensa fue terminante a la hora de señalar, sin posibilidad de réplica, que la represión se había saldado con 126 muertos y poco más de una centena de heridos. Investigaciones posteriores elevaron este número por encima de los tres mil, pero nunca esta cantidad ha sido oficialmente reconocida. La Cantata de Quilapayún habla de 3.600. Nadie hasta ahora los ha desmentido.
Chile se apresta a conmemorar con toda solemnidad la tragedia de Tarapacá y es muy probable que en las reuniones científicas previstas afloren nuevos datos que ayuden a avanzar en el conocimiento del que sin duda ha de ser considerado como uno de los principales hitos en la historia contemporánea del movimiento obrero. De ahí que no pueda pasar desapercibido en la conmemoración de su centenario, pues forma parte de la historia de la humanidad como un acontecimiento que trasciende a su marco geográfico para aleccionar sobre lo que realmente significa la lucha contra la injusticia como solución de continuidad a través del tiempo entre las sociedades del pasado y las de nuestros días. Y es que, si partimos del hecho de que la conciencia de la injusticia de las sociedades es un hecho permanente en la historia, difícilmente podríamos entender lo conseguido hasta ahora sin rendir el merecido homenaje a los que lo hicieron posible con su esfuerzo y hasta con sus vidas".
También la misma autora en El Norte de Castilla, 11-11- 07 : El Instituto Zorrilla perdió a profesores de alto nivel en la depuración de 1936
NOSOTRAS, LAS DECENTES. LA SALVAGUARDIA DE LA MORALIDAD FEMENINA EN UNA CIUDAD DE PROVINCIAS
Beatriz Caballero Mesonero
Universidad de Valladolid
Si un término marcó la vida de las mujeres españolas que vivieron bajo la dictadura franquista sin duda alguna la palabra decencia ocuparía uno de los primeros puestos en la lista. El adoctrinamiento recibido por las mujeres en este sentido para la salvaguardia de su moralidad y la del país es realmente intenso a todas las edades, pero muy especialmente en las etapas de la adolescencia y juventud por sus especiales características. Y es intenso a todos los niveles de influencia social, institucional y familiar: desde los más altos organismos de Iglesia y Estado, con Acción Católica y Sección Femenina a la cabeza como instituciones de socialización y adoctrinamiento de mujeres por excelencia, pasando por los manuales de los prolíficos moralistas de la época y demás prensa y literatura femenina, hasta la propia presión generada por el conjunto de la sociedad y la familia.
Pero, además, tratar esta cuestión en el marco localizado de la provincia de Valladolid supone agregarle a priori un componente todavía mayor de tradicionalismo heredado y de hermetismo impuesto en la que fuera denominada cuna del alzamiento nacional. El conservadurismo y el catolicismo a ultranza son condición sine que non para la sociedad vallisoletana por lo que cabría quizá pensar en una colectividad estancada que se mueve con aceptación y obediencia entre los rígidos parámetros ideológicos dispuestos por la dictadura franquista. Nada, sin embargo, puede estar más lejos de la realidad y, como veremos, existe una separación considerable entre lo que autoridades civiles y eclesiásticas consideran prácticas reprobables o comportamientos inmorales y las verdaderas prácticas sociales.
En definitiva, y a medida que se imponen las tendencias aperturistas, lo que pervive en múltiples casos es una cierta falsa moral o moral de las apariencias, que se esconde de la realidad aferrándose al ancla del pasado para no acabar con la imagen estereotipada de una sociedad idílica desacorde con la evolución de los tiempos.
1. La población controlada: orden, modestia y rectitud
El apoyo que la dictadura encuentra en la institución eclesiástica, ya desde sus orígenes cuando la misma guerra civil es entendida como cruzada, refuerza y legitima el modelo franquista de mujer[1]. El respaldo que la Iglesia ofrecía al régimen fue fundamental para el sostenimiento de un férreo control social, amparado en la prédica y primacía de los valores de la sumisión y la resignación y en el adormecimiento de las conciencias ciudadanas, que siguiendo las directrices eclesiásticas habrían de estar más preocupadas por la inmoralidad del país, expresada en la longitud de los vestidos y escotes de las españolas, que por los problemas de corrupción económica o la carencia de derechos fundamentales y libertades[2].
El modelo femenino propuesto por el nacionalcatolicismo en la línea del ideal de “La perfecta casada” de Fray Luis de León, ensalzaba las virtudes más piadosas y devotas de la mujer y su función de madre y esposa ejemplar siempre sumisa ante la autoridad y jerarquía paternas. Y para cumplir este cometido las mujeres eran educadas desde niñas según un patrón de género patriarcal, falangista y tradicional que las prepara y convierte en correas de transmisión de los máximos valores de la moralidad en la que se sustenta la ideología del “Nuevo Estado”. De esta manera todos aquellos comportamientos que se saliesen de la pauta establecida serían, formal o informalmente, censurados.
Así pues, como una forma de reforzar la supeditación de la mujer al varón y prevenir conductas deshonestas, los mismos estamentos eclesiásticos pretenden controlar todas las formas de expresión de los sentimientos y las diferentes etapas por las que atraviesan las jóvenes en sus relaciones con el otro sexo, desde las presentaciones, los primeros encuentros y el cortejo, hasta llegar al matrimonio como fin supremo de toda relación[3]. El objetivo perseguido no dejaba lugar para el azar y así queda claramente expresado en las “Normas de Decencia Cristiana” sobre el noviazgo:
Norma 60.Un hombre no debe tratar afectiva y asiduamente con una mujer sino con vistas al noviazgo, ni emprender el noviazgo sino con vistas al matrimonio. El flirt es un pecado ordinariamente grave.
Norma 62. Para conseguirlo, además de una intensa vida de piedad, han de procurar huir, en su trato, de la soledad y de la oscuridad. El no hacerlo suele ser pecado mortal, porque constituye un peligro tan próximo que es casi segura la caída, y fácilmente sirve de escándalo a los que lo conocen.
Norma 64. No puede aceptarse el que los novios vayan cogidos del brazo con peligro para ellos y mal ejemplo para los demás. Es escandaloso e indecente el ir abrazados de cualquier forma que sea.[4]
Sin lugar a dudas este mensaje tuvo amplio calado entre la mayoría de las muchachas vallisoletanas del primer franquismo, profundamente religiosas y educadas en el temor a toda clase de tentaciones[5]. Pero también es evidente que no tuvo la misma repercusión en todas las mujeres y menos aún a medida que avanza el tiempo cuando se empieza a notar un creciente relajamiento de las costumbres que choca directamente con el discurso oficial y eclesiástico. Nos encontramos entrados los sesenta con una ruptura fundamental entre el tipo de muchacha de feminidad tradicional, apegada a la casa, la religión y la familia, y las nuevas generaciones; jóvenes modernas y más cercanas a las posturas defendidas con posterioridad por el movimiento feminista que intentan adaptarse en la medida de sus posibilidades, dentro de las influencias que llegan a la ciudad, a las nuevas modas, usos y costumbres importadas de otras capitales de provincia más importantes y/o del exterior[6].
Es durante estos años, la década en la que se aprecia el cambio social a todos los niveles con mayor intensidad, cuando la situación que venimos analizando varía considerablemente. Ya en 1962 el vicario general del arzobispado de Valladolid informa de algunas transformaciones en este terreno:
En los pueblos de la provincia no se aprecia cambio notable en cuanto al ambiente religioso; generalmente se acusa falta de formación, apoyándose las prácticas religiosas más bien en la costumbre tradicional y el ambiente favorable actualmente. Comienzan a aparecer pequeños núcleos más conscientes y firmemente cristianos, debido a los Cursillos de Cristiandad y a la actividad de los grupos de Apostolado Rural de la Acción Católica. El aumento del fervor religioso es sensiblemente mayor en la ciudad, por la influencia de los cursillos y por el trabajo de la Acción Católica y de sus movimientos especializados, así como por la acción pastoral más intensa a través de la Misión General, el Apostolado Litúrgico, Cáritas, etc. Por el contrario el ambiente moral de poco tiempo a esta parte viene siendo menos favorable en la ciudad, y existe una manifiesta amenaza por la mayor libertad, que viene observándose en los espectáculos y publicaciones.[7]
Un asunto que va empeorando paulatinamente hasta convertirse en un verdadero quebradero de cabeza para los altos cargos eclesiásticos quienes se ven con frecuencia en la obligación de recordar a sus feligreses sus deberes cristianos y morales. Quizás una de las referencias más clarificadoras sea la declaración que los obispos españoles publican en 1971 bajo el lema “Declaración sobre la vida moral de nuestro pueblo” en la que denuncian la profunda decadencia y pobreza moral del pueblo español, analizando sus causas y síntomas y
planteando posibles remedios[8].
Los márgenes de lo que la Iglesia consideraba indecente eran realmente amplios e igual de amplios debían ser los motivos que la autoridad civil consideraba objeto de sanción: blasfemias, bailes, fiestas, cine, etc. Pero en estas cuestiones la estrecha vigilancia y los mandamientos oficiales poco tenían que ver con la realidad social y a mayores prohibiciones, mayores eran también las estrategias dispuestas para sortearlas y sin que faltara el gracejo del pueblo español para tratar de quitar fuste a las privaciones; en palabras de Umbral “el pueblo seguía inventando por su cuenta, no me beses con descaro que nos multa Romojaro, porque había gobernadores civiles especialmente empecinados en mantener la ortodoxia de los idilios cinematográficos.”[9]
Ya desde los albores de la dictadura las distintas representaciones de los poderes públicos encabezadas por los sucesivos gobernadores civiles sostienen en Valladolid y su provincia una lucha permanente por mantener a la población controlada dentro de los estrictos baremos de lo que el régimen consideraba conductas apropiadas y decorosas[10]. Por este motivo son muy frecuentes –y una de las permanencias más anacrónicas del franquismo puesto que apenas variarán con el paso de los años para readaptarse a la cambiante sociedad- las disposiciones emitidas en el Boletín Oficial de la Provincia en las que se establecen toda suerte de prohibiciones respecto a lo que estaba o no permitido a los vallisoletanos en materia
de moralidad y buenas maneras[11]. Al igual que son ordinarios los servicios prestados por los cuerpos de seguridad en la ciudad en prevención y/o persecución de atentados contra la moral. De esta manera informa el Comisario Principal de Valladolid al Gobernador Civil en una nota de 21 de julio de 1951 de graves faltas contra la moral a causa de los baños públicos de algunos vecinos en el río Esgueva:
Durante la temporada de verano y desde hace muchos años, se viene utilizando para baños, el paraje denominado “Puente de Cemento” sobre el río Esgueva, del término municipal de esta Capital y a una distancia de un kilómetro de la Barriada “La Pilarica” lugar muy frecuentado especialmente en los días festivos por “parejas” las que tanto al desvestirse como al vestirse, no se recatan de hacerlo ante otras personas y sobre todo de niños de corta edad. Dada la cantidad de arbustos que existen en dicho lugar, es aprovechado para permanecer tendidos en el suelo en posturas incorrectas y a veces se les sorprende en la realización de actos inmorales.[12]
La distensión de las costumbres tradicionales relacionada en especial con la época estival conduce a soluciones que hoy nos parecen insólitas tales como la “Campaña pro moralidad y fe íntegra. El verano y la moralidad”, que es impulsada desde Madrid por medio de la edición o reedición de carteles, tarjetas y estampas sobre la modestia en el vestir, la decencia, el baile, los fines del matrimonio, etc., para ser distribuidas por los católicos en aquellos lugares donde se considerase que eran necesarios[13].
A pesar de lo cual, por si la intervención de nuestras autoridades públicas no llegaba a todos los ámbitos, siempre cabía la posibilidad de contar con la connivencia de algún vecino que espontáneamente se alzaba en iluminado paladín y gentil defensor del bienestar patrio denunciando las miserias e impudicias de sus congéneres. Así sucede con un vecino de la localidad de Tordesillas que en 1964 dirige una misiva al Gobernador Civil para exponer la situación de inmoralidad que con motivo de las Fiestas se vive desde hace unos años en el pueblo:
... han cogido costumbre los chicos menores de 16 años de edad, en cuadrillas de seis u ocho, de reunirse y arrendar una panera por los cuatro días de la fiesta y en ellas celebrar “guateques” preparando limonada y con ese motivo estar en dichas paneras todas las horas del día y de la noche cantando y bailando con tocadiscos, para lo cual llevan chicas de su misma edad y como no les dejan entrar en los bailes públicos por su edad, estar en sus guateques hasta altas horas de la noche molestando a los vecinos y dando un espectáculo inmoral. Por lo que le ruego, y le suplico que tales guateques, les debe prohibir, no consentirlos, no tolerarlos no permitirlos por el bien de la juventud y de la moral.[14]
Un ejemplo que no es sino un exponente más del grado de reaccionarismo potenciado por Régimen e Iglesia en la mentalidad de los vallisoletanos y del profundo conflicto generacional manifiesto a través de la creciente emancipación de nuestra juventud que se adapta con fuerza a los modelos contraculturales importados del extranjero.
La propagación de locales de ocio y esparcimiento (boîtes, clubs,..) es considerada en un “Informe sobre la situación moral de la juventud en Valladolid”[15] fechado en el año 68 un importante peligro corruptor para la juventud; aún a pesar de las constantes gestiones policiales para impedir la entrada de menores y controlar las condiciones de los locales a los que se describe como verdaderos antros de perdición:
...locales pequeños, recogidos, interiores o sótanos, con decorados provocativos, con iluminaciones invitando a la intimidad de las parejas, permaneciendo siempre en una penumbra amparadora de todo extravío sexual, en los que normalmente nunca se encuentran más de tres o cuatro parejas, ambiente propicio para considerarse aislados y libres para sus expansiones eróticas, amenizadas con músicas de ritmo excitante...[16]
No obstante, según se desprende de dicho informe, a nivel general el comportamiento de los vallisoletanos en público es bastante correcto a pesar de que hay algunas cuestiones morales que sería necesario corregir tales como aquellos casos en los que "la honestidad y recato de la mujer deja mucho que desear, con sus exhibiciones en terrazas y establecimientos, debido en parte a la moda de las faldas cortas"; también son considerados reprobables algunas formas en las que las parejas circulan por las calles y paseos, así como manifestaciones de mayor intimidad en bancos de parques y jardines, salas de espectáculos y en especial "en lugares retirados o de las afueras escogidos por las parejas de novios para sus expansiones, generalmente después de la puesta de sol". A pesar de lo cual parece que la población comienza a acostumbrarse a las transformaciones introducidas en las modas y maneras de conducirse de la juventud y va decreciendo el rechazo de los más pudorosos hacia estos temas. No obstante, no es tanta la liberalidad en la que discurría la vida en la ciudad, si consideramos la denuncia que en el mismo informe se hace de la inmoralidad resultante de la disposición de prendas femeninas en algunos escaparates comerciales, de algunas publicaciones de ilustraciones eróticas o casi pornográficas, del peligro social que supone el incremento de la homosexualidad, o de la pésima calificación en lo moral de la mayor parte de las obras y revistas teatrales y películas.
Realmente es significativo el valor que desde las autoridades civiles y eclesiásticas se atribuye a los medios de comunicación como transmisores de las más perjudiciales formas de libertinaje[17]. El cine resulta un revulsivo fundamental en la modificación de las costumbres en general y tuvo especial relevancia en la evolución del modelo de mujer en particular; tanto por lo que se refiere a la imagen y el estereotipo femeninos transmitidos desde las pantallas, como por lo que respecta a la influencia de éstas mujeres “de cine” en la vida cotidiana de millones de mujeres españolas que esconden íntimos deseos de asemejarse a los prototipos cinematográficos[18].
2. De meretrices y otras malas mujeres: la labor del Patronato de Protección a la Mujer
Mantener controlada la situación de la prostitución en la provincia, mediante su regulación y vigilancia, constituye otra de las grandes preocupaciones de los poderes públicos y eclesiásticos para la salvaguardia de la moralidad establecida.
A este respecto, hasta mediados los años cincuenta se consigue mantener la misma situación de doble moral que era aceptada en otros muchos órdenes de la vida de los españoles, puesto que al tiempo que es tolerada y controlada por el régimen como un mal necesario, su ejercicio se reviste de un discurso condenatorio, apoyado por la Iglesia, que legitima las decisiones del “Nuevo Estado” de cara a la opinión pública. Como manifiesta Jean-Louis Guereña “en una sociedad “cimentada en el sillar firmísimo de la familia cristiana”, el burdel seguía siendo considerado claramente como una pieza esencial del orden moral, la salvaguardia de la virginidad femenina y la tranquilidad de las familias cristianas”[19].
La población vallisoletana quedaba de esta manera sometida también a un estricto control social[20] en cuanto a su moralidad sexual se refiere, bajo la consigna de los nuevos valores patrios y la erradicación de todo tipo de conductas desviadas de las pautas de comportamiento oficiales. Perseguir y eliminar los rastros de discrepancias se convierte en una prioridad para nuestros gobernantes, quienes en lo tocante al tema de las “mujeres públicas” canalizarán buena parte de sus esfuerzos correctores a través del denominado Patronato de Protección a la Mujer.
Restablecido por decreto de 6 de noviembre de 1941[21], el Patronato constituyó otro más de los aparatos ideológicos empleados por el franquismo como mecanismo represivo encargado de proteger, corregir y regenerar a la sociedad y a aquellas desgraciadas mujeres que habían caído en un estilo de vida degenerado. Su fin último no era otro más que lograr la “dignificación moral de la mujer, especialmente las jóvenes, para impedir su explotación, apartarlas del vicio y educarlas con arreglo a las enseñanzas de la Religión Católica”[22].
Pero será a partir de la Ley de 20 de diciembre de 1952 cuando quede definitivamente regulado como organismo o institución dependiente del Ministerio de Justicia, con plena capacidad jurídica y amplias funciones con respecto a las disposiciones legislativas anteriores. A partir de este momento el Patronato se encargará de la protección de la menor de 16 a 21 años, o bien -ampliando la minoría de edad- hasta los 25 en ocasiones especiales. La finalidad de este organismo será la de velar por la moralidad pública y en particular por la femenina, para lo que específicamente deberá, entre otras medidas, proteger a la juventud femenina y a todas aquellas mujeres expuestas a ambientes moralmente nocivos o peligrosos; “instar al descubrimiento y castigo de los hechos delictivos o de las contravenciones de las normas de policía que se relacionen con la corrupción y tráfico de menores y del conocido con el nombre de “trata de blancas”; con la producción, importación y circulación de publicaciones pornográficas o que tiendan a divulgar las prácticas abortivas o anticoncepcionistas y, en general, cuantas afecten a la moral católica y a los demás fines del Patronato”; proceder al internamiento y regeneración de las llamadas “mujeres caídas” en establecimientos adecuados para tal fin; y, al mismo tiempo, mantener contacto y relación con otros organismos, nacionales o internacionales, que persigan sus mismas o similares metas[23].
En Valladolid, el Patronato estaba representado por una Junta Provincial[24], dependiente a su vez de la Junta Nacional, y similar al resto de las cincuenta Juntas provinciales o locales -con función consultiva y decisoria- que representaban al Patronato por toda la geografía española bajo la presidencia honorífica de Doña Carmen Polo de Franco[25].
La financiación del Patronato para el desempeño de su labor correrá fundamentalmente a cargo de los presupuestos generales del Estado canalizados a través del Ministerio de Justicia, puesto que a pesar de que se contempla por la ley del 52 la posibilidad de recibir aportaciones extras provenientes de ayudas o subenciones varias e incluso el hecho de que los padres de las internas corran con los gastos de sus hijas, la realidad fue que las aportaciones provenientes de estas vías solían ser mínimas y los problemas de financiación de la Junta Provincial una cuestión recurrente.
Por lo que se refiere al funcionamiento interno del Patronato, las jóvenes que estaban bajo su tutela podían acceder a esta regeneración por cuatro cauces diferentes confiadas a él por los Tribunales, particulares u otras autoridades: en casos de prostitución, corrupción, etc. las jóvenes solían ser recluidas por mandato judicial; en otros casos las menores eran recogidas de las calles, por hallarse huidas de sus casas, o por encontrarse en establecimientos de dudosa moralidad, y trasladadas al Patronato por la policía; también podían ser internadas por sus propios padres sobrepasados por las conductas excesivamente rebeldes de sus hijas o temerosos de posibles perversiones o peligros; o bien podían ingresar por voluntad propia y en estos casos el Patronato pasaba a suplir las funciones de la familia actuando como una verdadera familia legal.
Una vez que las jóvenes, por cualquiera de estos cauces, quedaba bajo la supervisión del Patronato lo normal era su ingreso en uno de los centros a disposición de esta institución. Para su funcionamiento el Patronato disponía de un escaso número de instituciones propias, por lo que dependía de otra serie de instituciones colaboradoras y auxiliares que por regla general estaban en manos de congregaciones religiosas de Adoratrices del Santísimo Sacramento, Oblatas del Santísimo Redentor, Religiosas del Buen Pastor o Trinitarias[26].
En el caso vallisoletano estas tareas de auxilio a la labor del Patronato recaen principalmente en la obra de religiosas Adoratrices y Oblatas, aunque por los constantes problemas de espacio (o la carencia de medios de reeducación apropiados) se hiciera necesario con frecuencia el traslado de tuteladas a colegios o establecimientos de corrección de otras provincias cercanas. A 31 de diciembre de 1963 están recluidas a disposición de la Junta Provincial un total de 57 mujeres repartidas por diferentes provincias: 24 en Adoratrices y 13 en Oblatas de Valladolid; otras 13 en Nuestra Señora de la Almudena, Nuestra Señora del Amparo, Residencia Peña Grande, y otros sitios de Madrid; 3 en el Hogar Femenino María Inmaculada de Salamanca; 1 en el Refugio Nuestra Señora de Fátima de San Sebastián; 2 en Nuestra Señora de Covadonga en Oviedo y 1 con las Oblatas de Segovia[27].
La tarea encomendada a estas comunidades religiosas consistía fundamentalmente en una labor de recatolización y formación, a través de las que se buscaba encauzar la senda vital de estas muchachas desorientadas. Con estos fines, y para lograr una pronta recuperación de las internas, el colegio Nuestra Señora del Pilar dependiente de las religiosas Adoratrices de la capital organizaba en la década de los sesenta cursos de formación intensiva profesional, en colaboración y con la subvención del servicio de Promoción Social Obrera del Ministerio de Trabajo[28]. Cursos que, a pesar de que se reconoce que no estuvieron exentos de problemas, servirían para enseñar a las jóvenes el desempeño de una profesión que les permitiese abandonar la situación de internamiento en la que se encontraban y volver a salir a la calle contando con una manera honrada y digna de ganarse el sustento superando su indisciplina anterior. Eso sí la capacitación que se ofrece a las jóvenes tuteladas entra dentro de los cánones de lo que en la época se consideran profesiones adecuadas para la mujer y los cursos ofertados son de las especialidades de peluquería, maquinista de punto, cocineras-reposteras, etcétera[29].
A pesar de que no existe excesiva documentación acerca de la labor del Patronato en Valladolid, los informes existentes son explícitos a la hora de mostrar las dificultades a las que tenía que enfrentarse la Junta Provincial para el desempeño de sus funciones cotidianas. De esta manera, la carencia de medios es una constante reiterada en sucesivos informes. El principal problema que se le presenta a la Junta Provincial para su buen funcionamiento viene a ser la falta de “casas de familia” donde pueda acogerse a las tuteladas “con lo que se lograría además de poder ser controladas, el que recibiesen instrucción y consejo para desenvolverse con normalidad a la salida del internado”. Y la solución que se plantea, a semejanza del éxito ya obtenido en otras provincias españolas, consiste en la construcción de una Casa Hogar o Casa de Familia, donde las muchachas encuentren un refugio “que les ponga a cubierto de los peligros de la ciudad”. Aunque, por el momento, la única salida a los problemas de espacio de esta institución se limite al proyecto de construcción de un Hogar para Mujeres Jóvenes, cuya ejecución estaba prevista dentro de las medidas del Plan de Desarrollo[30].
Pero las deficiencias no se limitan a los medios materiales, sino que el personal técnico con el que se cuenta es también insuficiente para atender debidamente la demanda y los servicios del Patronato. No son bastantes los profesionales contratados para desarrollar las funciones de custodia y rehabilitación de las jóvenes tuteladas, ni el número de visitadoras sociales y asistentes sociales, y por ello resulta fundamental para el mantenimiento del sistema la inestimable colaboración de las órdenes de religiosas. La principal dificultad de la Junta para el desarrollo normal de sus actividades durante el año 75 fue precisamente la carencia de asistente social encargada de gestionar el Centro de Observación y Clasificación (COC) de la calle Renedo, lo que impedía la realización de importantes estudios acerca de las características y la condición de las jóvenes que se internan en este centro[31].
Con la información de que disponemos únicamente podemos reconstruir con cierta continuidad la labor desempeñada para el Patronato en Valladolid a partir de los años sesenta coincidiendo con el pleno apogeo del desarrollismo en la ciudad, lo que contribuye en buena medida a ejercer de foco de atracción para la emigración de jóvenes mujeres que acuden a la capital en busca de mejoras socio-laborales y en ocasiones como un medio de escapar de la opresiva atmósfera que les ofrecía el mundo rural tradicional.

Fuente: Elaboración propia a partir de los informes de la Junta Provincial del Patronato de Protección a la Mujer.
* entre las resoluciones más usuales de las llevadas a cabo por el personal de la Junta del Patronato se encuentran sin duda los internamientos-externamientos de las muchachas, pero también se adoptan según los casos otra serie medidas de vigilancia tutelar, denuncias ante las autoridades judiciales o gubernativas, informes al juzgado o a otras Juntas patronales, traslados a disposición del Tribunal Tutelar de Menores, o casos en los que el patronato se encuentra en la imposivilidad de intervenir por no comprobarse vida inmoral, por negativa de los padres, por contraer matrimonio, etc.
Aunque carecemos de una serie temporal completa, que nos permitiera realizar un seguimiento más riguroso de las actividades llevadas a cabo por los servicios de la Junta del Patronato, nos parece interesante adjuntar también los datos contenidos en el informe del año 1975[32], donde se especifican detalladamente las labores realizadas por el personal adscrito a la misma y que nos permiten constatar cómo la misión del Patronato continúa muy vigente aún en el ocaso de la dictadura.

La empresa de la Junta del Patronato en la ciudad se realizaba en estrecha colaboración con la Jefatura Superior de Policía, quienes la mantenían puntualmente informada acerca de los casos de mujeres de mala reputación sobre las que el Patronato pudiera desplegar su función tutelar (aportando su nombre, edad, lugar de nacimiento y procedencia, ciscunstancias familiares y profesionales); y viceversa la Junta se encargaba de denunciar ante la policía a proxenetas o encubridores de este comercio carnal en la ciudad. Así, queda constancia de esta reciprocidad en el informe enviado por la Junta Provincial del Patronato para la confección de la memoria del Gobierno Civil del año 68 por medio de las denuncias presentadas ante el fiscal de la Audiencia Territorial por haberse descubierto una red de trata de blancas y un chalet en las inmediaciones de la capital donde se ejercía la prostitución[33].
Pero lo cierto es que a la hora de valorar la realidad de la prostitución en Valladolid las versiones de las autoridades gubernativas y de la Junta del Patronato coinciden al entender que las medidas legislativas adoptadas hasta el momento estaban dando sus frutos, al menos en el terreno de controlar la prostitución más expositiva y abierta[34]. A juicio de los poderes públicos el Decreto-Ley abolicionista de 3 de marzo de 1956[35] y las revisiones del Código Penal -Decreto de 28 de marzo de 1963- han resultado suficientes para paliar esta situación. Como se expone en la memoria del Gobierno Civil de 1962 por lo que se refiere a este tema “ha desaparecido la prostitución en lo que tenía de explotación a la mujer y su carácter profesional desapareciendo los prostíbulos” [36]; lo cual no significa que no se continúe practicando en pensiones y otros establecimientos públicos de forma encubierta.
Esta prostitución clandestina continúa vigente y perseguida desde los tiempos de la posguerra, cuando al no existir aún condena expresa de la misma dentro de una política reglamentarista, no se juzgaba como delito su práctica sino el incumplimiento de los requisitos para desarrollarla, esto es, que se ejerciese en recintos cerrados, en casas de citas o meublés y siempre por mayores de edad. No obstante, pese a existir posibilidades de regulación para las prostitutas, éstas optaban por no matricularse en las casas toleradas y preferían trabajar “por libre”, escapando de las limitaciones por edad, de los recintos establecidos y de los obligatorios controles sanitarios para el desempeño legal de esta profesión[37], lo que arroja cifras aproximadas de 80 detenciones semanales allá por 1952[38]. Estas prostitutas clandestinas serían juzgadas como detenidas gubernativas y apartadas de la calle por un periodo de entre quince días y dos años, y en algunos casos pasaban a depender de la Obra de Redención de Mujeres Caídas[39] que se encargaría de su reclusión y adoctrinamiento en conventos, cárceles o reformatorios.
De los 349 expedientes de detenidos gubernativos en la provincia recogidos entre 1947-49 y a los que hemos podido tener acceso, diecisiete corresponden a mujeres denunciadas, arrestadas o detenidas por atentar contra la moral pública o ejercer la prostitución clandestina; en la mayor parte de los casos son denunciadas a las autoridades por sus propios convecinos con ninguna otra base probatoria que el mero chismorreo. Este es el caso de cuatro mujeres de la capital arrestadas en mayo de 1948 durante quince días (exp. 949-952) en respuesta a la denuncia formulada por los vecinos de una casa de la céntrica calle Portugalete; se trata de tres mujeres de 25, 26 y 38 años, “sin ocupación y de pésima conducta”, alojadas en el domicilio de una viuda de 51 años, que “desde el fallecimiento de su esposo y según informes practicados por la policía sobre personas que conocen su vida y costumbres, hace una vida desprovista de todo principio de pudor y recato, apareciendo como una mujer “de la vida”, como demuestra su asistencia con otras mujeres de mala reputación a bares y cafés y sus paseos por la vía pública con su querido”. Asimismo, y para mayor escándalo de la vecindad, se cuenta cómo su vivienda ha sido convertida en la antesala de un verdadero prostíbulo donde se acoge a mujeres de vida irregular que acuden allí por la noche, en ocasiones ebrias y en compañía de varones, ocasionando importantes molestias a la vecindad por sus voces y faltas a la moral. Destaca además en este proceso un detalle que es revelador del papel activo que la policía jugaba también en la vigilancia de la moralidad general y la regeneración de estas mujeres, puesto que se manifiesta como en varias ocasiones el comisario ha intentado favorecer otras salidas para las detenidas apercibiendo a la viuda a cambiar su forma de vida y conducirse dignamente[40].
Precisamente es esta variante de la prostitución la que más preocupa a la Junta Provincial del Patronato una vez que están teniendo éxito las disposiciones sobre la misma y el cierre de las casas dedicadas a este tráfico. Y así lo hacen constar en un completo informe presentado el 9 de marzo de 1964 por el vicepresidente de la Junta en el que se analizan detalladamente las influencias favorables y desfavorables que han ocasionado las medidas legales adoptadas respecto a la evolución de la prostitución en nuestra ciudad[41].
En dicho informe denuncian la persistencia de dos tipos de prostitución que denominan genéricamente alta y baja prostitución. Por alta prostitución entienden aquella que se desarrolla fundamentalmente dentro de hoteles, incluidos los de categorias superiores, a los que las parejas acceden libremente y sin ningún tipo de cortapisas y puesto que “como el sistema de alojamiento en hoteles y pensiones no exige la presentación de documento alguno que acredite el vínculo existente entre las personas, es fácil eludir la responsabilidad”. De ahí que desde la Junta se proponga como medida cautelar la posibilidad de que “aún cuando resultara un poco molesto para los viajeros y pensando en más elevados fines”, fuera obligatoria la presentación del Libro de Familia o de algún otro documento a través del cual se justifique su condición matrimonial; de tal forma que, además, serían sancionados los propietarios de los establecimientos que no cumplieran con estos requisitos de control. Esta modalidad más encubierta y menos publicitada incluiría la prostitución encubierta ejercida por jóvenes clientas habituales de cafeterías, boîtes y clubs nocturnos, artistas profesionales o componentes de grupos artísticos que actúan en Salas de Fiestas –dos al menos en conocimiento y vigilancia policial- y que complementan su economía por estos medios[42].
En cuanto a la baja prostitución sería aquella que se concentra y sigue desenvolviéndose principalmente en los antiguos barrios donde existían prostíbulos establecidos; con la salvedad de que, al cerrarse aquellos, ha disminuido la concentración de mujeres en un único local y ello ha promovido la agrupación de pequeños grupos de dos, tres o cuatro mujeres – muchas de ellas, pese a su edad, antiguas mancebas de los prostíbulos clausurados - que continuan practicando su oficio en viviendas particulares. Concretamente, según se desprende del testimonio recogido por la Junta:
Hay en esta situación un número considerable de prostitutas, y cuando se las señala que en estas casas se ejerce la prostitución, alegan que no, que a dichos pisos solamente sube el amigo particular de cada una de ellas, siendo lo cierto que acuden otros individuos. Hay horas durante el día en que fácilmente puede encontrarse en las calles de estos barrios bajos un considerable número de prostitutas, y más concretamente en los bares enclavados en los mismos, donde de hecho existe una activa contratación entre hombres y mujeres de mal vivir.
Otros espacios que también se han comprobado propicios para el frecuente desarrollo de estas prácticas eran los reservados de bares, establecimientos tolerantes o incluso abiertamente encubridores de este tráfico, o merenderos situados en el extrarradio, y que por este motivo estaban menos sometidos a la inspección policial[43]. Estás prácticas se consumaban en especial en horario nocturno, en muchos casos dentro del propio vehículo con el que se acude a la cita o en su defecto en el campo, y con carácter cada vez más frecuente en pensiones y hoteles donde la Junta denuncia un “alarmante incremento y peligro en el ejercicio de la prostitución”. Una generalización de este tráfico dentro del creciente mundo de la hostelería que se considera realmente una amenaza para la protección de la moralidad provinciana puesto que en esta industria “los escrúpulos sucumben ante los fáciles beneficios” y ello genera “un ambiente muy propicio por ofrecer garantías de cierta reserva” para el desenvolvimiento de una furtiva prostitución[44].
De esta forma una situación que de cara al exterior pudiera parecer una victoria de los poderes públicos capaces de erradicar este tráfico de mujeres escondía una realidad sumergida bien distinta y contra la cual los métodos de lucha y represión no resultaban tan eficaces. Por este motivo, en un ejercicio de autocrítica y como un medio para intentar desarrollar y mejorar el papel encomendado a la Junta Provincial el informe del año 64 culmina con un repertorio de medidas y de situaciones a corregir:
... mayor vigilancia e inspección de los locales de diversión nocturna, que referidos a nuestra capital son pocos, pero carecen de un control sumamente necesario, ya que la mayor parte de las jóvenes que tutela el patronato han sufrido su caída precisamente en los reservados de dichos establecimientos, los cuales por otra parte se hallan provistos de pasadores que permiten el cierre de los reservados, cosa que debe evitarse a toda costa. Surgido un gran incremento en cuanto a recepción de parejas en pensiones y hoteles se refiere, sería conveniente insistir a los propietarios a fin de que se abstuvieran de admitir cualquier clase de parejas que infundan sospechas e incluso que solicitaran algún justificante de la situación familiar de las mismas. Se impone una mayor eficacia en la represión de los lamentables espectáculos nocturnos y diurnos relativos a la compostura de las parejas, que afecta a la moralidad pública y es un semillero de males mayores[45].
Sin embargo, lejos de resolverse estos problemas que tanto perturban a los guardianes de las virtudes de nuestros ciudadanos, a medida que pasan los años tienden a recrudecerse, hasta el punto que el cometido inicial del Patronato queda superado por la realidad social del momento. Se hace imprescindible entonces una reformulación de sus funciones y medios de actuación que permitan adecuar la institución al ritmo impuesto por la adopción de nuevas costumbres y moldes mentales.
…en esta ciudad ha seguido en escala ascendente la pauta marcada durante los últimos años por la excesiva libertad de costumbres en la juventud, prodigándose la asistencia a los clubs en sesiones nocturnas de jóvenes menores de 21 años, e incluso de 18, con el consiguiente quebranto de la moralidad femenina, ansiosa de desenvolverse y disfrutar de esos medios, acentuándose más el peligro en las jóvenes de las esferas sociales más modestas, que no disponiendo de medios económicos propios –la presencia en estos clubs resulta cara- se acogen a la invitación de muchachos de superior posición, hipotecando así su personalidad[46]-
Máxime cuando existe poca colaboración por parte de los progenitores y las familias para que la vida de sus hijas discurra encauzada por el camino de la rectitud y la virtud, siguiendo la travesía marcada por el retrógrado modelo femenino que se pretende seguir sosteniendo por parte de las autoridades franquistas.
Los padres, que antes ofrecían resistencia a esta nueva apertura de costumbres, dificultando su rápido progreso, han terminado por claudicar, adoptando una posición de conformismo, y las salidas nocturnas de las jóvenes, que hace años parecía intolerable en el ambiente familiar, se ha hecho ahora corriente en la vida de costumbres, con evidente peligro para su moralidad, aunque se invoque que ahora existe una mejor preparación para defenderse en la vida[47].
De ahí que, desde el mismo Patronato, se reconozcan las crecientes dificultades a las que ha de hacer frente contando con unos medios de acción que no son los adecuados para los nuevos tiempos y se reclame por ello un “profundo estudio de reformas en los sistemas” a través del que se logre sortear el importante desequilibrio con el que se encuentra en la actualidad. Aunque, a pesar del pesimismo que se trasluce por las disfunciones y el deterioro de la organización, sigue existiendo un poso de confianza en los poderes civiles para su recuperación a la espera de un nuevo anteproyecto de Ley encargado de actualizar las normas fundamentales por las que se rige esta institución[48].
Pero no sólo los medios del Patronato resultan ineficaces para mantener controlados los hábitos sexuales de las nuevas generaciones de muchachas que se empapan de aires modernizadores, sino que similares males afectan a la actuación de la misma policía en la vigilancia y represión del comercio carnal. Aunque según se manifiesta desde Jefatura a la altura de 1968 no es excesivo el número de prostitutas en función del total de población, su control o extirpación se hacen prácticamente imposibles. En casos de vigilancia policial extrema, las prostitutas tienden a trasladarse a zonas o ciudades donde la tolerancia sea mayor con lo que no se termina con el problema; así como tampoco surten efecto las medidas usuales consistentes en la imposición de sanciones pecuniarias, arrestos gubernativos o propuestas de aplicación de la Ley de Vagos y Maleantes, que según el informe policial no vendrían más que a agrandar el problema de reinserción de estas mujeres. Examinado el historial de las detenidas y sancionadas en este año por prácticas de prostitución y que reproducimos a continuación, no podemos por menos que llegar a las mismas conclusiones que se plantean desde la Jefatura de Policía, esto es, la práctica inoperancia de los métodos cohercitivos aplicados en estos casos.

Fuente: Elaboración propia a partir de los datos del Informe sobre la Situación Moral de la Juventud. Año 1968.
La política propuesta como alternativa, en un planteamiento muy actual, parte de un análisis de la condición sociológica de las prostitutas, en su mayor parte mujeres inadaptadas socialmente y carentes de formación moral y cultural, que en muchas ocasiones tienen que mantener una familia propia y que además sufren el rechazo de la comunidad que las margina y destierra de otras posibles salidas laborales. De poco o nada sirve entonces su apartamiento de las calles, si tras su puesta en libertad no se les ofrece otra salida que incurrir de nuevo en el vicio. De ahí que se ambicione "una labor educativa, de mayor comprensión humana y caridad cristiana por parte de la sociedad", como método mucho más efectivo para la regeneración de estas mujeres[49].
3. A modo de conclusión.
Recorrer algunos de los mecanismos e instituciones de control y sometimiento empleados por los poderes civiles y eclesiásticos, nos ha permitido ver el elevadísimo grado de ingerencia y de coacción al que estaban sujetos los vallisoletanos, y en particular sus mujeres, en todos los órdenes de su vida. En el mundo del ocio, la moda, los sentimientos, las relaciones de pareja y sexuales, prácticamente todo era considerado pecaminoso y entrañaba terribles peligros para el desarrollo de la personalidad femenina. Bajo el punto de vista de nuestras más altas jerarquías, las vallisoletanas del franquismo no son dueñas ni de su tiempo, ni de su espacio, ni de su mente, ni siquiera de su propio cuerpo. Se mueven en un terreno espacial acotado dentro de la esfera privada, que ni siquiera pueden considerar absolutamente propia puesto que dentro de ella han de comportarse igualmente siguiendo unos cánones establecidos de antemano, y en caso de dejarse asomar a la esfera pública son severamente reprendidas por adoptar comportamientos indecorosos en toda mujer que se precie de ser buena madre, buena esposa y buena cristiana. Nada podía haber peor, sin embargo, que caer en las redes del lenocinio, donde tampoco las mujeres escapan de esas relaciones de poder, siempre interesadas, que al tiempo que las discriminan las utilizan. Mantener a las mujeres profundamente adoctrinadas resultaba fundamental para la supervivencia de un sistema y un discurso ideológico patriarcal y jerárquico como el franquista. A pesar de lo cual hemos comprobado cómo el transcurso del tiempo trae consigo un trascendental desfase entre este discurso tradicionalista y sacralizador que se pretende inmovilista, mantenido por el Nuevo Estado y la Iglesia católica, y la realidad social de los vallisoletanos cambiante en el tiempo y el espacio, al igual que las relaciones de género. Progresivamente se van sentando las bases de una nueva moral popular que, en contradicción con la oficial, será la que acabe triunfando a medida que las provincianas modosas y piadosas del primer franquismo vayan ganándole terreno a su propia vida hasta ser relegadas por las nuevas vallisoletanas protagonistas del futuro democrático.
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ARTÍCULO PUBLICADO EN: VII Congreso de la Asociación de Historia Contemporánea, Santiago de Compostela, 2004, CD-ROM (ISBN 84-9750-376-7).
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LA AUTORA
Beatriz Caballero Mesonero (Valladolid, 1978), es licenciada en Historia por la Universidad de Valladolid, España. En la actualidad ultima su tesis doctoral bajo el título de "La mujer ante el cambio social en Castilla y León durante el franquismo: el caso vallisoletano (1960-1975)".
PUBLICACIONES
***"Algunas consideraciones acerca de la historiografía de la historia de las mujeres", en FORCADELL, C.; FRÍAS, C.; PEIRÓ, I. y RÚJULA, P. (coords), Usos públicos de la Historia. VI Congreso de la Asociación de Historia Contemporánea, Zaragoza, 2002, vol.1, 351-363.
***"El Género: reflexiones desde la Historia", en XII Jornadas de Filosofía: Igualdad y género. Reflexiones desde la ética y la filosofía política. Universidad de Valladolid, Valladolid, 2003, (en prensa).
***"Algo viejo, algo nuevo y algo azul: vallisoletanas en el franquismo (1959-1975)", V Encuentro de Investigadores del Franquismo, Albacete, 2003, CD-ROM.
***"Nosotras, las decentes. La salvaguardia de la moralidad femenina en una ciudad de provincias", en VII Congreso de la Asociación de Historia Contemporánea, Santiago de Compostela, 2004, CD-ROM (ISBN 84-9750-376-7).
***"Esposa y madre en la vida: Trabajo y conflictividad femenina en el Valladolid tardofranquista", en Actas del Congreso: La transición de la Dictadura Franquista a la Democracia, Barcelona, (en prensa).
***"Relaciones laborales y de género en el franquismo. Mujeres trabajadoras en una ciudad en transformación, Valladolid (1955-1975)", en XIII Coloquio Internacional de A.E.I.H.M. Barcelona (pendiente de publicación).
***"Historia de las Mujeres e Historia de Género. Teoría, metodología y balance académico", Universidad de Valladolid, 2002 (pendiente de publicación).
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Para dirigirse directamente a la autora: beacm@fyl.uva.es
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NOTAS
[1] Para precisar las características de este modelo véase: Geraldine M. SCANLON, “La mujer bajo el franquismo”, Tiempo de Historia, nº 27, año III, pp. 4-24; María del Carmen AGULLÓ DÍAZ, “Transmisión y evolución de los modelos de mujer durante el franquismo (1951-1970)”, en J.M. TRUJILLANO SÁNCHEZ y J.M. GAGO GONZÁLEZ (eds.), Historia y Fuentes Orales. Historia y memoria del franquismo, 1936-1978. Actas IV Jornadas. Ávila, octubre, 1994, Ávila, Fundación Cultural Santa Teresa, 1997, pp. 491-502.
[2] La cuestión de la moda y el vestido de las mujeres se mantuvo durante todo el franquismo como una permanente obsesión para la institución eclesiástica. De tal forma que son numerosas las ocasiones en las que desde diversos cargos religiosos se emiten disposiciones recordando a las mujeres su compromiso para con el recato y la modestia en el vestir. El Boletín Oficial del Arzobispado de Valladolid (en adelante BOAV), nº 8, 12 de junio de 1950, supone un buen ejemplo a este respecto al recopilar en un mismo número una circular del arzobispo de 10 de junio de 1950 sobre la inmodestia en los vestidos femeninos y ciertas expansiones estivales, una instrucción de la Sagrada Congregación del Concilio sobre el modo deshonesto de vestir de las mujeres de enero de 1930, y el compendio de Reglas particulares de modestia, tomadas de la pastoral colectiva “Justicia y Castidad” elaborada por los prelados de la provincia eclesiástica de Valladolid en agosto de 1941, pp. 137-144.
[3] Son obligatorios para los jóvenes católicos los cursillos prematrimoniales que las parroquias ofrecen en capital y provincia, coordinados por el Centro Diocesano de Formación Prematrimonial, como el que la Acción Católica organiza en Tudela de Duero bajo el programa: “Situación de los jóvenes ante el matrimonio”; “El noviazgo”; “Psicología masculina y femenina”; “Dios es nuestro padre, Jesucristo nuestro amigo”, y “Preparación de la misa del Domingo”. BOAV, nº 4, abril de 1967, pp. 130-131.
[4] Assumpta ROURA, Nosotros, que nos quisimos tanto. El libro de los que fuimos jóvenes, Barcelona, Planeta, 1996, p. 139. La Comisión Episcopal de Ortodoxia y Moralidad emite en 1959 las llamadas “Normas de Decencia Cristiana”, que no son sino un compendio de cánones de comportamiento admitidos en cuanto se refería a la vida familar, las relaciones de pareja, con los hijos, los sirvientes, desde el completo rechazo a cualquier método anticonceptivo que limitara la finalidad procreadora fundamental del matrimonio, pasando por el adoctrinamiento de los jóvenes respecto a su forma de vestir o divertirse, hasta la defensa de los verdaderos valores de la mujer como sostén del hogar y madre de familia.
[5] Hay que tener en cuenta que la enseñanza de la mayoría de los alumnos de clase media y en edad escolar en la ciudad se recibe de colegios oficiales o religiosos regidos por las normas de la Iglesia, siendo una exigua minoría los que estudian con particulares seglares. Sobre la educación femenina: Mª Jesús DUEÑAS CEPEDA, “Avances y retrocesos en la educación de las mujeres en Castilla y León, 1900-1970”, en R. CID et al., Oficios y saberes de mujeres, Valladolid, Secretariado de Publicaciones e Intercambio Editorial. Universidad de Valladolid, 2002, pp. 221-259.
[6] Unas circunstancias que no son exclusivas de nuestra provincia sino que se insertan dentro de la oleada de importantes transformaciones que arrasa por todo el país y centra la atención de los altos mandos eclesiásticos como puede comprobarse a través de la “Declaración colectiva de los Metropolitanos españoles. Actitud cristiana ante los problemas morales de la estabilización y el desarrollo económico”, Ecclesia, nº 969, 6 de febrero de 1960, p. 3 editorial y pp. 25 y ss.
[7] Archivo del Gobierno Civil de Valladolid (en adelante AGCV), SDG Caja 119, Antecedentes de la Memoria del Gobierno Civil. Año 1962. Nota del vicario general del arzobispado de Valladolid. En concreto la rama femenina de la Acción Católica vallisoletana incluía entre sus secretariados uno dedicado a cuestiones de moralidad, cuya vigilancia será una de las dedicaciones principales de la obra dentro del ámbito de su acción social. Cf. Laura SERRANO, Renovación eclesial y democratización social. La Iglesia diocesana de Valladolid durante la construcción de la democracia, 1959-1979, Tesis Doctoral (inédita), Universidad de Valladolid, 2002, pp. 380 y ss.
[8] Entienden que la relajación moral se manifiesta entre otros hechos en la disminución o falta de sentido religioso de la vida, desorientación general de principios morales, depreciación del orden moral matrimonial y de la institución familiar, materialismo y hedonismo, creciente erotización ambiental, inmoralidad profesional, clima de violencia, crisis de autoridad y obediencia, escándalo y provocación del dinero, ansia de lucro y de lujo; acontecimientos que son consecuencia del debilitamiento o pérdida de la fe cristiana, del confusionismo doctrinal y crisis en la vida sacramental, ignorancia en materias morales, pérdida de confianza en las instituciones y los principios morales sobre todo entre los jóvenes, choque moral con el dinamismo de la vida moderna y sus pautas de evasión y ruptura de lo establecido, creciente comercialización del sexo y su explotación económica, corrientes culturales que erosionan la moral, etc. BOAV, nº 7, julio de 1971, pp. 305-313.
[9] Tomás Romojaro Sánchez fue Jefe Provincial del Movimiento y Gobernador Civil de la provincia entre 1942 y 1947 y acérrimo defensor de la ortodoxia y la disciplina en las conductas de los vallisoletanos. Francisco UMBRAL, Memorias de un niño de derechas, Barcelona, Destino, 1986 (1ª ed. 1972), p. 34.
[10] Si nos movemos en el terreno de la sociabilidad topamos ya desde el primer cuarto del siglo XX con la puesta en marcha dentro de la capital de diversas iniciativas ciudadanas que intentarán disminuir, con los medios de que disponían, toda clase de vicios y desvergüenzas. La “Juventud Social Católica” ya desde su fundación en 1922 cita entre sus fines principales el fomento de la instrucción religiosa, moral, cívica y patriótica de sus miembros y para lograrlo establecerá en su seno secciones particulares tales como la sección de moralidad (encargada de luchar contra la pornografía “que corrompe y destruye el vigor y el alma de los jóvenes, con degeneración de la raza”) o la sección de prensa que perseguirá periódicos o revistas inmorales; el “Apostolado de Señoras Centro Obrero Nuestra Señora del Carmen de las Delicias”, registrada legalmente en marzo de 1927, pero funcionando desde hacia 12 años, tiene por objeto mejorar el estado moral y material de los obreros de ambos sexos. También es el caso de la denominada “Liga contra la Pública Inmoralidad”, asociación de carácter nacional pero que también cuenta con delegaciones provinciales como la establecida en la calle Ruiz Hernández de Valladolid - registrada en el Gobierno Civil con fecha de 17 de enero de 1928- y que según consta en sus estatutos de 1926 tiene por objeto combatir y prevenir por todos los medios lícitos las manifestaciones públicas de la inmoralidad. Pero sin lugar a dudas la asociación más combativa en la defensa del pudor y la honestidad en la ciudad fue la “Asociación Católica de Padres de Familia”, constituida el 16 de febrero de 1933 y en cuyo reglamento se especifica la cooperación en la lucha contra las malas costumbres y la inmoralidad pública como una de sus principales metas; tal fue así que ejerció celosamente una tarea de censura cinematrográfica y literaria e incluso a mediados de los años 50 dispone de una “Asesoría Jurídica de Moralidad” e incluso corrió a cargo de la edición de las “Disposiciones penales sobre la inmoralidad pública” para conocimiento de los vallisoletanos. AGCV, DA Caja 3, Expedientes de Asociaciones anteriores a la Ley de 1964, exp. Nº 133, 166, 406, 218.
[11] Circulares de la Dirección General de Seguridad sobre normas de moral pública en playas, piscinas y lugares de recreo (ej. BOP nº 157, de 12 julio de 1967, p.1); circular recordando la supresión de las fiestas de Carnaval (BOP nº 46, de 25 febrero del 65, p. 2); circular acerca de la supresión de espectáculos públicos en Semana Santa (BOP nº 83, de 9 abril de 1974, p. 1).
[12] En respuesta a esta demanda el Gobernador Civil insta al Teniente Coronel primer jefe de la Comandancia de la Guardia Civil a enviar, los domingos y festivos, a dicho paraje una pareja de la fuerza pública – de 10 a 8 tarde- para “establecer el correspondiente servicio de vigilancia en vista de las faltas que contra la moral y con ocasión de bañarse se efectúan en dicho lugar”. AGCV, OP Caja 485. Expedientes de Policía y Orden Público 1948-51.
[13] BOAV, nº 7, 26 julio, 1960, p. 250. Pero no faltan curiosas iniciativas de similar tipo dispersas por toda la geografía nacional, aún cuando por lo avanzado de los tiempos resulten del todo desfasadas; tal es el ejemplo recogido por Luis Carandell en su sección Celtiberia donde reproduce un cartel aparecido en una iglesia gerundense, ya entrados los setenta, en el que bajo el lema “Campaña de la decencia” se insta a las mujeres a mantener el recato en el vestir tradicional: “No hay vestidos decentes o indecentes: tales serán quienes los lleven. Si usted es católica, debe vestir de mujer. No llevará la mujer vestidos de hombre, ni el hombre vestidos de mujer, porque el que tal hace es abominación al Señor tu Dios. (Deut. 22,5). Sus vestidos deben llegar a las rodillas. Aceptaremos la decencia de siempre o no podremos hablar en moralidad.” Triunfo, nº 539, 27 enero de 1973, p. 40.
[14] AGCV, DA Caja 94. Similar es la situación denunciada en septiembre de 1962 ante el Gobernador Civil por la escandalosa conducta moral que es ejemplo desastroso y comentario de todo el pueblo y en especial perjudicial para la juventud de una joven huérfana de 20 años vecina de la localidad de Quintanilla de Onésimo. En este caso es el propio alcalde quien suplica del gobernador su internamiento en un centro apropiado y acompaña informes del cura, el juez de paz y el Comandante del puesto de la Guardia Civil, que ratifican la inmoralidad de la joven en todos sus actos; en concreto el informe del párroco, Pablo Esteban, de la Iglesia de San Millán es especialmente severo, rayando en la befa y el desprecio al certificar que la joven “es una muchacha con una tara enorme de imbecilidad; es tonta de remate, su inteligencia no funciona normalmente. Pero a pesar de ser tan tonta, no la ha dado nunca por lo bueno y lo moral, sino desgraciadamente por todo lo contrario. Su honradez está tirada por tierra en el pueblo (...) Donde la muchacha es algo horroroso es en la moralidad; es una completa amoral. Se une y se lía con cualquiera, basta que tenga o vista pantalones. Hace ya bastantes años que era y sigue siendo un escándalo para el pueblo. No la importa ni el lugar ni la hora, todos los sitios la parecen a propósito y todas las horas ideales, para saciar sus bajos y sucios deseos, siendo por ello un continuo escándalo para todos. Mi opinión es que debe salir del pueblo y recluirla en el Convento de Monjitas Oblatas de Valladolid.” AGCV, DA Caja 94.
[15] Enviado a Madrid por el Gobernador Civil, a petición de la Dirección General de Política Interior y Asistencia Social, el informe está elaborado por la Jefatura Superior de Policía en Valladolid el 4 agosto de 1968, contiene información acerca de la situación moral de la provincia y presenta posibles soluciones a estos problemas que tanto preocupaban a nuestras autoridades. AGCV, OP Cajas 587 y 590.
[16] Para evitar en lo posible situaciones de este tipo son también habituales las iniciativas de centros parroquiales o de enseñanza, u asociaciones de cariz religioso consistentes en la organización de clubs juveniles en los que diversión y garantía de contención moral vayan de la mano. Una propuesta de este tipo es la presentada, en enero de 1966, por el padre Ramírez Velasco de la Compañía de Jesús y director de la Congregación Mariana de Sirvientas y Obreras solicitando autorización para la puesta en marcha de un centro de recreo: Centro de Nazaret, situado en la Casa Social de la calle Muro. Este Centro sería utilizado como una alternativa a otras vías de esparcimiento menos adecuadas pero al mismo tiempo adaptado a los nuevos cambios sociales: “A dicho centro hasta el presente año han acudido tan sólo las chicas congregantes. Pero se ha visto que, atraídas por otros locales de diversión más acogedores y también más tentadores donde podían ir con sus novios, nuestro local se quedaba casi vacío los domingos y días de fiesta y perdía por tanto una de sus finalidades que era dar honesta diversión a las jóvenes bajo la vigilancia de un sacerdote –la mayor parte del tiempo presente- o de congregantes mayores, algunas ya de cincuenta años para arriba. Por todo ello se pensó en cambiar un poco la orientación del salón y se decidió dar entrada a los novios de las congregantes y otros chicos en número reducido con carnet de socio o amigo de la “Casa de Nazaret” (...). Así las cosas, entre otras diversiones como cantos, música, baraja y otros juegos sedentarios, se tiene de vez en cuando algo de baile y así creemos apartar a ellas y a ellos de otras diversiones peligrosas. Téngase en cuenta que el padre Director tiene todos los domingos con las muchachas una conferencia moral y con los chicos dos veces al mes. Es pues la Casa de Nazaret un centro a la vez de formación y de recreo como corresponde a una Congregación Mariana y no un salón de baile ni un simple guateque.” AGCV, SDG Caja 153, Expedientes de Asociaciones anteriores a la Ley de 1964.
[17] Precisamente la influencia de películas de baja calidad moral es la principal razón aducida en 1966 por la Brigada de Orden Público para explicar el incremento de la delincuencia juvenil y la proliferación de mayor número de delitos contra la propiedad o las sustracciones de o en vehículos. AGCV, SDG Caja 119, Memoria del Gobierno Civil. Año 1966.
[18] Debemos recordar que Valladolid es una ciudad de larga tradición cinéfila, representada a través de la tradicionalmente denominada “Semana de Cine Religioso y de Valores Humanos” (actual SEMINCI), que tampoco se mantuvo ajena de controversias en lo tocante a la moralidad de sus proyecciones. Así se refleja en una circular del arzobispo García de Goldaraz en la que manifiesta su apoyo al certamen, pero al tiempo su deseo de que en el futuro la Semana no vuelva a sufrir desorientaciones morales del tipo de las que provocaron un manifiesto desagrado de algunos diocesanos escandalizados por la admisión en la VI Semana de determinadas películas y la concesión de algunos premios para producciones poco edificantes. BOAV, nº 4, abril de 1961, p. 120.
[19] Jean-Louis GUEREÑA, La prostitución en la España contemporánea, Madrid, Marcial Pons, 2003, p. 415.
[20] Utilizamos el término “control social” en la definición utilizada por Mary NASH, “Control social y trayectoria histórica de la mujer en España”, en R. BERGALLI y E. MARI (coords.), Historia ideológica del control social (España-Argentina, siglos XIX y XX), Barcelona, PPU (Promociones y Publicaciones Universitarias), 1989, pp. 151-173.
[21] El origen de esta institución se remonta al Patronato Real para la Represión de la Trata de Blancas fundado por decreto el 11 de julio de 1902 bajo la protección de la reina María Cristina (por este motivo, dado su carácter inicial de Fundación Real, con el paso del tiempo seguirá siendo considerado como un organismo de tipo benéfico); evoluciona durante la Segunda República a Patronato de Protección a la Mujer constituido el 11 de septiembre de 1931 y disuelto el 25 de junio de 1935, y renace con un signo diferente durante la posguerra ya en 1941 como un medio de redimir al país de la ruina moral y material a la que había sido conducido por las hordas de republicanos, liberales, masones y marxistas. Puede seguirse con mayor detalle esta transformación en el artículo de Pedro Mª EGEA BRUNO, “La moral femenina durante el primer franquismo: el Patronato de Protección a la Mujer en Cartagena”, Anales de Historia Contemporánea, nº 16, Murcia, 2000, pp. 431-451 y en la reciente publicación de Jean-Louis GUEREÑA, Op. Cit, pp. 388 y ss. y 423 y ss.
[22] BOE, 4 de enero de 1942.
[23] Esta serie de funciones se nutren de los principios del llamado sistema abolicionista de la prostitución -que hay que diferenciar de los sistemas prohibicionista y reglamentarista- cuyos dogmas fundamentales se basan en no considerar la prostitución como un delito y entender que, por lo tanto, no es sancionable si se practica libremente. Como su propio nombre indica, pretende la abolición de este mercado mediante la persecución y severa represión de toda forma de proxenetismo y tráfico de personas, y por otro lado la desaparición de toda clase de medidas discriminatorias contra las prostitutas, que no son consideradas más que víctimas y por ende necesitadas de asistencia social, planes de prevención y reeducación. Para contextualizar esta cuestión véase: COMISIÓN NACIONAL DEL AÑO INTERNACIONAL DE LA MUJER, Situación de la Mujer en España. Año Internacional de la Mujer, Tomo I., Madrid, RUAN S.A., 1977, pp. 281 y ss., o desde una perspectiva actual R. ANTÓN JIMÉNEZ y R. DIEGO VALLEJO, Estudio sobre la prostitución femenina en la Comunidad de Castilla y León, Valladolid, Junta de Castilla y León. Consejería de Sanidad y Bienestar Social, 1999.
[24] Esta Junta estaría presidida por el Gobernador Civil de la provincia, dos vicepresidentes varones según se especificaba por decreto, e integrada por representantes de diferentes organismos: eclesiásticos, sanitarios, militares, policía, un representante del movimiento, el presidente del Tribunal Tutelar de Menores, tres hombres y tres mujeres. Entre las personalidades de la ciudad que pasaron por la Junta Provincial de Protección a la Mujer tenemos constancia de la presidenta de la Sección Femenina en la ciudad Mª Antonia Trapote, Fernando Uribe Zorita, Godofredo Garabito Gregorio, Isabel Guilarte Zapatero, Josefa Cortés López, el comisario de policía Jesús Rodríguez López, entre otros.
[25] Y bajo el patronazgo divino de Nuestra Señora de los Dolores, el Buen Pastor y Santa Micaela del Santísimo Sacramento.
[26] Para conocer cómo era el tratamiento diario que recibían las muchachas acogidas por estas congregaciones durante el primer franquismo es interesante el artículo de Adela ALFONSI, “La recatolización de la moralidad sexual en la Málaga de la posguerra”, Arenal. Revista de Historia de las Mujeres, Granada, julio-diciembre de 1999, pp. 365-385.
[27] AGCV, SDG Caja 119. Antecedentes y Memoria del Gobierno Civil. Año 1963. En una memoria posterior comprobamos como el número de jóvenes que permanecen internadas en colegios de la capital y otras provincias aumenta considerablemente y los lugares de destino se diversifican y alejan todavía más: 50 permanecen internas en Adoratrices y 6 en Oblatas dentro de la capital y el resto diseminadas por otras localidades 15 en colegios de Madrid, 2 en Salamanca, 2 en San Sebastián, 1 en Ciudad Real, 3 en Ávila, 6 en Zamora, 1 en Barcelona, 2 en Oviedo, y 1 en Cáceres. AGCV, SDG Caja 202, Memoria del Gobierno Civil. Año 1968.
[28] AGCV, SDG Caja 119, Memoria del Gobierno Civil. Año 1964, 1965 y 1966.
[29] Tenemos datos sobre el número de jóvenes que realizaron estos cursos de capacitación profesional en el colegio de Religiosas Adoratrices en el año 1968: nueve en el ramo de la peluquería; cinco en el ramo de maquinistas de punto; tres en el ramo de corte y confección; tres estudian bachillerato en el mismo colegio; y otras cinco estudian secretariado. AGCV, SDG Caja 202, Memoria del Gobierno Civil. Año 1968.
[30] AGCV, SDG Caja 119, Memoria del Gobierno Civil. Año 1964. En las memorias de 1965 y 66 los miembros de la Junta urgen nuevamente sobre la constitución de esta casa de familia o casa hogar para acoger a las numerosas jóvenes que vienen a la capital a buscar colocación y evitarles la nefasta y desmoralizadora influencia que encuentran en pensiones y otros establecimientos, por lo que parece que la solución a los problemas espaciales de la institución no tuvo salida a corto plazo.
[31] AGCV, Libro de Memoria del Gobierno Civil. Año 1975.
[32] AGCV, SDG Caja 204, Ministerio de Justicia. Patronato de Protección a la Mujer. Junta Provincial de Valladolid. Año 1975.
[33] AGCV, SDG Caja 202, Memoria del Gobierno Civil. Año 1968. En esta misma memoria se nos informa de la labor desarrollada por la Brigada de Orden Público que es la encargada de cuestiones de moralidad, reuniones, permisos de armas, multas, o espectáculos, y que “en cuestiones de moralidad mantiene una lucha constante para limpiar la vía pública de aquellos restos de prostitución que tan arraigada estaba en todas las ciudades españolas”.
[34] La moralidad evoluciona favorablemente conforme pasan los años si tenemos en cuenta que Valladolid entra dentro del grupo de trece provincias que en el año 1942 califican la moralidad de sus ciudadanos de francamente “mala”. Así se expone en el “Informe sobre la situación general de la Moralidad en España” encargado por el Patronato, a escasos seis meses de su puesta en funcionamiento, para tener un conocimiento de primera mano del estado de la moralidad de la nación. Algunos de estos informes, realizados por los jefes de policía de las diferentes provincias españolas en respuesta a un modelo de cuestionario elaborado desde el Patronato, son analizados en las obras de Mirta NUÑEZ DÍAZ-BARLART, Mujeres caídas. Prostitutas legales y clandestinas en el franquismo, Madrid, Oberón, 2003 y Assumpta ROURA, Mujeres para después de una guerra. Informes sobre moralidad y prostitución en la posguerra española, Barcelona, Flor del Viento, 1998.
[35] En el art. 2º del mencionado decreto se dice: “Quedan prohibidas en todo el territorio nacional las mancebías y casas de tolerancia, cualesquiera que fuesen su denominación y los fines aparentemente lícitos a que declaren dedicarse para encubrir su verdadero objeto”, Ecclesia, nº 766, 17 marzo de 1956, p. 303. Este decreto se completa con una Orden de 3 de marzo de 1960 emitida desde la Presidencia del Gobierno, y dirigida a los Ministerios de Justicia y Gobernación, por la que se constituye una “Comisión coordinadora de los problemas de la moralidad pública”. La finalidad buscada mediante este nuevo órgano era la de “gestionar más eficazmente y cumplir la labor de aquellos organismos a los que afectan directamente los problemas de la moralidad pública en sus aspectos de protección, orden público, sanitarios y asistenciales.” Constituida al igual que el Patronato de Protección a la Mujer como organismo dependiente del Ministerio de Justicia estaría integrada por el Subsecretario de Justicia como presidente, el Presidente Jefe de los Servicios del Patronato como vicepresidente, un representante del Ministerio de la Gobernación y un representante de la Cruzada Nacional de la Decencia como vocales y como secretario el mismo del Patronato, y su función principal sería la de “coordinar la labor de cuantas Autoridades y Organismos se interesan por los problemas de la moralidad pública, en relación con la mujer, y especialmente de la prostitución, enfocándolos con visión de conjunto para la más eficaz resolución de los mismos.” BOAV, nº 6, 14 de junio de 1960, pp. 227-228.
[36] Así al menos lo confirman las cifras oficiales –a nuestro parecer excesivamente halagüeñas- con sólo una multa por prostitución en este año. AGCV, SDG Caja 119, Antecedentes de la Memoria del Gobierno Civil. Año 1962.
[37] Un antecedente de posteriores reglamentaciones sanitarias de este tipo en JUNTA PROVINCIAL DE SANIDAD (Valladolid), Reglamento de la higiene de la prostitución de Valladolid aprobado por la Comisión Permanente de la Junta Provincial de Sanidad en la sesión del dia 18 de marzo de 1908, Valladolid, Imprenta de Jorge Montero, 1908.
[38] Estas cuestiones se exponen en un informe de 1952 elaborado por la Iglesia vallisoletana sobre la prostitución en la ciudad y provincia. Junto con la persistencia de la prostitución encubierta habría en la capital ocho casas de citas toleradas y ocho prostíbulos públicos, y otros tres en Medina del Campo, que englobaban en total unas 110 mujeres, de entre 23 y 35 años, de escasos recursos económicos la mayor parte de ellas y que debían someterse a los obligatorios chequeos médicos dos veces a la semana en el Dispensario Antivenéreo Oficial. Cf. Cristina GÓMEZ CUESTA, “La construcción del Régimen en la ciudad”, en E. BERZAL DE LA ROSA (coord.), Crónica de Valladolid, 1936-2000. La historia de la provincia de Valladolid desde la guerra civil hasta nuestros días, Valladolid, El Mundo, 2001, p. 76.
[39] Para profundizar en la organización y función de esta institución creada por decreto del 6 de noviembre de 1941 como órgano autónomo dentro del Patronato Central para la Redención de Penas por el Trabajo, con la finalidad de redimir y recuperar social y moralmente en prisiones especiales al creciente número de mujeres que en la dura posguerra se habían visto abocadas a la prostitución clandestina, véase la obra de Mirta NUÑEZ DÍAZ-BARLART, Op. Cit.
[40] En una situación similar nos encontramos con los casos de dos vecinas de Medina del Campo denunciadas por los inquilinos de sus viviendas por desarrollar este tipo de prácticas: Carola (exp. 1049), de quien según el informe policial se dice que es mujer de vida airada, con varias denuncias anteriores, que recibe sin pudor ni recato en el vestir y hacer a hombres a altas horas de la noche, casados y solteros, con el consiguiente escándalo para la vecindad, y Dolores (exp. 1210) arrestada 15 días en noviembre de 1950 por escándalo público y vida licenciosa, acusada de recibir hombres con propósitos deshonestos sin haber matriculado su casa como casa de citas. AGCV, Caja OP 567, Detenidos gubernativos 1947-49.
[41] AGCV, SDG Caja 119, Antecedentes y Memoria del Gobierno Civil. Año 1963.
[42] AGCV, OP Caja 590, Informe sobre la Situación Moral de la Juventud. Año 1968.
[43] Según consta en dependencias policiales, son los restos del antiguo “barrio chino” los que acaparan con mayor intensidad el tráfico de meretrices, en concreto un sector comprendido entre las calles de Padilla, Empecinado y Estrecha, donde las mujeres hacen “la carrera” entre las últimas horas de la tarde y primeras de la noche escudadas en los establecimientos cercanos, cuya clientela masculina concurre básicamente atraída por la presencia de estas mujeres de vida airada con quienes establecer un trato que consumarán en su domicilio, en casas de citas clandestinas o en otros lugares alternativos. AGCV, OP Caja 590, Informe sobre la Situación Moral de la Juventud. Año 1968.
[44] Y dado lo sencillo del procedimiento utilizado su persecución resulta todavía más compleja: “ya que las parejas no tienen más que acudir al sereno en horas avanzadas de la noche, y éste facilita directamente la habitación, abandonándose discretamente el hotel o la pensión en las primeras horas de la madrugada; todo ello autorizado por los dueños como verdaderos impulsores de esta lucrativa y cómoda actividad, ya que si fuera llegado el momento de alguna complicación, fácilmente se excusarían diciendo que no saben nada, que habría sido cosa del sereno.” AGCV, SDG Caja 119, Antecedentes y Memoria del Gobierno Civil. Año 1963.
[45] Ibidem.
[46] AGCV, SDG Caja 202, Patronato de Protección a la Mujer. Memoria del Gobierno Civil. Año 1968.
[47] AGCV, SDG Caja 119, Antecedentes y Memoria del Gobierno Civil. Año 1963.
[48] AGCV, SDG Caja 119, Patronato de Protección a la Mujer. Antecedentes de la Memoria del Gobierno Civil. Año 1968.
[49] AGCV, OP Caja 590, Informe sobre la Situación Moral de la Juventud. Año 1968.
Sociedades virtuales
Luz Congosto, "Informe Enjut@ Mojamut@"
La sociedad de la comunicación, que definiendo uno de los procesos de globalización más determinantes ha venido a titular las sociedades del siglo XXI, supone un fenómeno abierto a la reflexión desde múltiples frentes. Una multiplicidad prácticamente obligada por la omnipresencia de la Red en cualquiera de las esferas de lo social que puedan considerarse. Éste es el marco de referencia donde adquiere plena validez la aportación sociológica de nuestra colaboradora, que por elección se mueve en el cibermundo con el nombre de batalla de Lula Towanda , cuyo interés se ha centrado para este trabajo de microcampo en los perfiles de género de los usuarios de Internet.
El acceso al informe se presenta en los dos formatos que aquí se incluyen. Los mismos, además de otras informaciones, están situados en la web de la autora : http://www.seccionfemenina.com/
Mayte Díez
A modo de presentación en You Tube (...continúa)
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